2015, o ano que não quer acabar

Nas escolas e universidades, greves e ocupações adiam o fim do ano letivo. A lama da Samarco continua se espalhando pelo país e as famílias sem saber onde vão passar o Natal. Os tiros no Rio continuam, foram 111 na semana passada e a polícia não deve perder a chance de concorrer com os fogos do ano novo. Especialistas dizem para as mulheres não engravidarem, o zika provoca microcefalia. No congresso, um processo de Impeachment ameaça o recesso parlamentar, cuja suspensão é a melhor chance da presidenta. No restante do mundo, o Estado Islâmico avança implacável e a declaração de Obama é o anúncio de uma terceira Guerra Mundial [1]. Refugiados estão em vigília e desespero nas fronteiras. Centenas de mortes não noticiadas acontecem todos os dias pela África, foram 18 só em Mali. E com certeza que ninguém escapa das pequenas tragédias cotidianas. Acidentes de carro, familiares doentes, eletrodomésticos quebrados, cirurgias repentinas, desemprego.
"Não dá para sofrer tanto com o que a gente não tem controle", me lembra uma amiga.
É, somos mesmo tão pequenas diante de tudo. Não que eu quisesse que as coisas se resolvessem por completo, mas me faz falta aquela sensação de que é possível fechar ciclos, processos, pensar no que ainda queremos para o futuro.
Por isso comecei uma lista de desejos para o ano 2016, mas o primeiro e único item até agora é: viver, mesmo que seja difícil pensar como vai ser.
[1] No documentário "A propaganda do Estado Islâmico", um líder muçulmano afirmou que "o que o Ocidente vai chamar de terceira guerra mundial vai durar 20 anos e terminar com o triunfo do Islamismo".