2015 foi o futuro e o agora

“Alguma coisa interferiu no fluxo dos eventos no espaço-tempo, Marty!”, exclamou o doutor Emmett Brown.

A frase me fez pensar o quanto foi emblemático que 2015 fosse justamente o ano em que os personagens do filme “De volta para o futuro 2” desembarcaram. Não temos carros voadores e não usamos macacões prateados, mas com certeza vivemos ano que ficará marcado na história. Como se uma velha ordem estivesse ruindo e a nova ainda seja um quebra-cabeça a ser montado.

Por isso, terminei o ano sem ter feito um balanço do que passou e nem me planejado para o que virá. Foi sim, um ano difícil, fiquei assustada com a velocidade e a intensidade de algumas transformações. Mas um objetivo perseguido todos os dias tornou o check-list desnecessário: decidi ir começando tudo o que eu queria ao passo que as coisas iam se desenhando como desejadas ou necessárias.

Claro que a lista não foi inteiramente resolvida, mas quase tudo o que eu achei que era importante eu fiz. Em 2015 eu comecei o mestrado. Voltei a fazer análise. E exercícios. Escrevi todos os dias, textos acadêmicos e literários. Li absurdamente também. Fiz amizades importantes para lidar com os desafios de ter mudado de cidade. Viajei para lugares legais. Dei de presente pra mim umas roupas bonitas. Amei e fui amada.

Lá por março, eu fiz um pacto comigo mesma de que desejos devem ser levados a sério, ser encarados de frente e se forem tão importantes assim, precisam ser realizados. Percebi que eu arranjava todas as desculpas possíveis para não lidar com o que queria. E aliás, que às vezes nem sabia o que eu queria, tantas eram os empecilhos que eu fui colocando no caminho. E, afinal, se tudo se realizasse? Se eu fosse exatamente quem eu queria, pra onde iria?

O que eu descobri com isso é que levar a sério os nossos desejos não é uma receita para a felicidade, não nos torna mais leves e muito menos garante um amor para a vida toda, como parecem prometer as receitas de livros de auto-ajuda. Como alertou Dr. Brown, nos faz entender que cada momento, cada escolha, pode alterar o passado e o futuro. Mesmo com o mundo opressor que vivemos, que limita nosso leque de possibilidades de vida, temos muita responsabilidade com o que escolhemos. E isso nos faz encarar o presente como o que temos que viver.

Pra mim, 2016 vai ser só a continuidade do ano que se foi, porque viver é todo dia.

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