[sobre salivas]

Priscilla Acioly
Jul 28, 2017 · 1 min read

Sabe aquela saliva que você salivava
quando me via subindo a escada de vestido preto?
Então
Eu tinha nojo dela

Eu salivava pra você também
mas como um cão

Sobre o dia que você cruzou comigo na rua:
– Ah se eu fosse 20 anos mais novo
– Ah se eu fosse um cacto
Mas nunca respondi
só salivei

A mão que você passou pela fenda que até então eu nunca tinha olhado no espelho
– porque só tinha 11 anos –
É do mesmo tamanho da que eu usuaria pra te estrangular

Também olhei pra você
e medi cada centímetro
do que você chama de masculinidade
sua bola esquerda teima em ser maior que a direita

Foda-se que meus seios são assimétricos,
eles estão pendurados em mim
e eu. sou. uma. árvore.
Sinto muito: amendoeira
Nada que você consiga comer ou mastigar

Você salivou por uma árvore que não devia
que só estava plantada e só fazia parte da calçada
Já mencionei que suas bolas são tortas?

A única forma das nossas salivas se encontrarem
é nesse poema e, fora dele,

num cuspe

— Priscilla Acioly, 20/07/2017

Priscilla Acioly

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Tudo que escrevo quer conversar com tudo que você é.

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