O dia seguinte

Não preguei o olho a madrugada inteira e ainda não consegui dormir. Tudo em volta ainda é meio confuso. E a vontade de voltar correndo pra casa, admito, é maior que a minha vontade de continuar aqui tentando um novo jeito de me sentir viva.

Não esperava óbvio, que fosse instantâneo. Mas esperava que respirar um pouco outros ares me acolhesse a dor agoniante do peito. Não acolheu.

Hoje ainda não chorei, não comi e não me senti viva.

Vi duas pessoas que eu amo. Mas isso não fez diferença.

Eu queria dizer que já me sinto mais tranquila pelo menos, mas é ao contrário. Tô aqui me sentindo um peixe fora d’água, me sentindo mais morta que viva. Tô aqui querendo te esquecer, amar quem me ama. Tô aqui querendo arrancar meu coração com as próprias mãos. Tô aqui querendo ser a pessoa que eu sempre fui mas não consigo mais ser. Tô aqui olhando um céu estranho, em uma cidade estranha e com o mesmo peso de sempre no coração.

Já é dia seguinte, eu tomei coragem e peguei o voo que me faria desistir de você de uma vez.

Mas… Pra ser sincera, ainda é dia seguinte e aquele voo fez tudo comigo, menos me fazer te deixar pra trás.