Precisamos falar sobre Malala…

A história de uma garota paquistanesa diante do islamismo fundamentalista.

Por: Eu sem fronteiras
“No dia em que nasci, as pessoas da nossa aldeia tiveram pena de minha mãe, e ninguém deu os parabéns a meu pai. Vim ao mundo durante a madrugada, quando a última estrela se apaga.” (Trecho do livro “Eu sou Malala”, 2013)

Muitas podem até não saber, mas dentro de cada uma de nós mora uma Malala. Ou deveria morar. Um alguém que acredita na transformação do mundo por coisas básicas: respeito e educação.

Em um planeta onde o medo, as guerras e o desamor têm imperado, precisamos falar sobre essa garota, de apenas 19 anos que, aos 17, se tornou a pessoa mais nova a receber um prêmio Nobel ao denunciar ameaças do islamismo fundamentalista a fim de obter o direito ao estudo. Algo que para muitos é apenas um detalhe, para essa jovem era a conquista de um direito fundamental e engrandecedor.

A história de Malala Yousafzai, retratada no livro “Eu sou Malala”, se passa no Vale do Swat, no Paquistão. Com apenas 16 anos, a pequena paquistanesa não se calou diante das ameaças do grupo manipulado pelo Talibã. Ela e a família arregaçaram as mangas — em nome da própria segurança — e declararam guerra ao domínio islâmico, que impedia a educação nas escolas da região. A guerra pensada por essa família, no entanto, não tinham armas, mas as vozes daqueles que buscam a defesa da possibilidade de estudo, principalmente, às mulheres.

A narrativa, que tem 360 páginas, traz os primeiros momentos de vida de Malala e os aprendizados na escola, que era dirigida pelo pai dela no Vale do Swat. Além disso, mostra as dificuldades, até mesmo de sobrevivência, em um país onde reinam as desigualdades sociais, as guerras e o terrorismo praticado pelo Talibã.

Malala Yousafzai

De 2009 a 2013, pelo menos, mais de 800 escolas foram atacadas por militantes no noroeste do Paquistão. A intenção dos extremistas nada mais é do que travar uma guerra violenta contra o estudo para meninas.

E o preço da luta pelo estudo quase resultou na morte de Malala. Em outubro de 2012, ela retornava do colégio, dentro de um ônibus escolar, quando foi atingida por um tiro na cabeça. Para surpresa do grupo extremista, a jovem se restabeleceu e se transformou em um ícone mundial na luta pela educação.

A trajetória de Malala Yousafzai veio à tona quando ela redigiu um texto enviado à BBC Urdu. No documento, a garota falava sobre as condições de vida dos habitantes da região e do regime imposto pelo Talibã, além da campanha realizada pelos familiares na luta pelo direito das mulheres à educação.

Mas por quê ler sobre Malala?

Na minha opinião, a obra “Eu sou Malala” é uma oportunidade para abrir os olhos, e também o coração, para a realidade de milhares de pessoas que precisam conviver com o extremismo religioso. E, de alguma forma, se sensibilizar diante dos problemas que se calam nas bocas de quem vive a repressão, a falta de oportunidade e, principalmente, de liberdade.

Malala, que possui um amor enorme pelo conhecimento e pela educação, acredita que esses são fatores que podem mudar o mundo. É aí que a pequena garotinha nos propõe a reflexão sobre o papel do ser-humano. Uma leitura não só recomendada, mas obrigatória a todos aqueles que acreditam e têm esperança em um mundo melhor.

“Quando o Talibã tomou controle do vale do Swat, uma menina levantou a voz. Malala Yousafzai recusou-se a permanecer em silêncio e lutou pelo seu direito à educação. Mas em 9 de outubro de 2012, uma terça-feira, ela quase pagou o preço com a vida.” (Trecho do livro “Eu sou Malala”, 2013.)
Após ser baleada, Malala discursa na Organização das Nações Unidas, em 2013.

O livro “Eu sou Malala”, da Editora Companhia das Letras, foi escrito por Malala Yousafzai e pela jornalista Christina Lamb, que atua desde 1987 como correspondente no Paquistão e no Afeganistão.

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