me despeço
me desfaço

num compasso acelerado, meu coração acelera

os punhos vem e me acertam. de onde?
de mim. são meus.
(não dói)

me despacho, 
me desmancho

não há o que perder

lágrimas escorrem, sinto medo
medo do que não pode mudar

não há saída a não ser o fim

o chão está gelado, meu pulmão queima por diversão

minha garganta enrouquece após os gritos
minha mente enlouquece após os risos

você pode me ver? 
você pode me ajudar?

me descubro,
estou exposta
me maltrato,
estou morta

sensibilidade. machucados recentes são perfurados com facas enferrujadas

não é literal, não se preocupe

um quarto branco, janela com grades
marcas. memórias

inocência. não pode ser real

toco e num passo de mágica tudo se transforma: se vai.

me perdoe.

me confundo,
me ajudo

tudo ficará bem.

volta, não vai

pesa, me derruba

bagunça, arruma
bem rápido, antes que os convidados cheguem

não podem me ver

meus dedos passam pelo meu cabelo. porra!

me orgasmo,
me desperto

o sol se põe, estou só. não quero companhia

batidas se compõem numa melodia
conversa comigo. são sons

os gritos param. 
resquícios.

não me deixe.

obrigada por entender.
agora, pode me explicar também?