Planeta Diário — Edição 7

Desconstruir é preciso

Fernanda Torres pediu desculpas pelo texto que havia escrito e deixou ainda mais claro o quanto desconstruir é uma necessidade constante nos dias de hoje.

Muitas mulheres possuem acesso à informação, mas preferem fechar os olhos a questões mais “espinhosas” como feminismo, violência contra a mulher e combate ao assédio. Ficam em negação. Dizem: “ah, eu não sou radical”. Essas coisas. Mas isso até que tais questões vem bater em suas portas. Ou como disse tão bem a Carol Patrocínio: “O machismo não incomoda enquanto ele não é uma bela água batendo na sua bunda pelada. Uma água de banheiro público que esfria sua bunda quando você menos imagina. Aí ele incomoda”.

Melhor exemplo disso é Ana Paula, do Big Brother. Logo no primeiro dia já se disse machista e fala sempre como não busca direitos iguais, esse tipo de coisa que, quem diz, não entende muito bem do que está falando. Mas quando ameaçada pela presença de Laércio, que a fazia sentir medo de ser abusada dentro da casa, foi a primeira a protestar e se posicionar de forma veemente, numa atitude que tinha muito mais de feminista e de sororidade com a amiga mais nova do que ela imagina. Se ela diz ser uma coisa, demonstra ser outra. E são várias as mulheres que são assim.

Falam que feminismo é “coisa de mal amada”, mas não hesitam em votar quando há eleições, trabalhar e gastar o dinheiro como bem entendem, dirigir, ter autonomia sobre as próprias vidas. Não sabem, mas colhem o que mulheres corajosas plantaram, pagando inclusive com as próprias vidas. Pior ainda: nem imaginam o quanto ainda as mulheres precisam conquistar, conquistas que as beneficiariam, e se posicionam contrariamente às lutas. Escolhem olhar para o outro lado.

Felizmente vivemos em uma época em que está cada vez mais difícil ignorar que todos merecemos respeito e temos direitos.