Produtor do Mês: Talita Viza — Alento Sorvetes

Estamos começando hoje, uma série de entrevistas mensais do “Produtor do Mês” para conhecer melhor as histórias por trás dos expositores e parceiros que fazem parte da nossa feirinha de produtores a cada evento.

Nesta primeira edição, fomos conhecer a história da Talita Viza, proprietária da Alento Sorvetes. 
Talita nos recebeu numa manhã de sexta-feira em sua nova casa, com um sorriso e uma infinidade de sabores de sorvetes para degustação.

Os passeios pelos sabores de sorvetes da Alento são mágicos e a história por trás desse sonho da Talita é inspiradora.


Quando Talita terminou o segundo grau, fez vestibular para gastronomia e direito. No meio do curso de direto, sua mãe teve um AVC e ficou muito debilitada, mesmo assim ela concluiu seu mestrado na área.

Ao fim do mestrado, sua mãe se recuperou e neste momento ela decidiu realizar seu sonho de 10 anos. Sendo assim, fez o curso de cozinheiro do Senac e se apaixonou! Foi uma aluna envolvida, motivada, realizava testes e chegou até a participar do concurso Novos Talentos da Gastronomia Mineira, ficando em 3º lugar e recebendo o prêmio das mãos do governador, no palácio do Governo.

Sorbet de Mojito — Novidade para a Experimente Fevereiro

Entre um sabor e outro de sorvetes, batemos um papo com a Talita que você confere agora:

Experimente: Como começou a história do sorvete?

Talita Visa: Um dia, fui ao restaurante Matusalém e experimentei uma deliciosa sobremesa com sorvete de Manjericão. Fiquei apaixonada e pensei: “Preciso aprender a fazer esse sorvete!”. Às vezes eu ia no restaurante só para comer a sobremesa. Aí eu pesquisei na internet, receitas de sorvete de manjericão. Testava muitas vezes até conseguir desenvolver a receita. Comecei a levar nos eventos que eu trabalhava com uma amiga, Graciele Giberti. A gente servia de sobremesa um chocolate Killer com esse sorvete de manjericão e fazia um sucesso danado. As pessoas perguntavam: “De onde é esse sorvete, onde eu compro esse sorvete?”. Então o sorvete foi tomando uma grande proporção. Na época eu não conseguia abrir uma fábrica de sorvete por questões financeiras.

Depois de um tempo fui selecionada para lecionar no curso de tecnólogo em gastronomia do Senac. No intuito de aumentar minha experiência na área trabalhei com o chef Guilherme Melo, no Hermengarda, com o chef Leonardo Paixão, no Glouton, com o chef Simone Biondi, no restaurante Est Est Est e depois com os chefs Fernando Biber e Léo Mendes, na Grano.

Quando eu saí da Grano pensei que era a hora de investir em um negócio próprio, resgatando a ideia do sorvete. Um amigo meu, o Frederico Calijorne, da Vila do Chef (um espaço gastronômico que aluga as cozinhas, para aulas e eventos), disse que eu poderia ficar lá por um tempo, utilizando a Vila como uma encubadora dessa empresa. Comprei a máquina de sorvete usada, um freezer e comecei a desenvolver novos sabores, cuidar da marca, das embalagens.

Antes de começar a comercializar os sorvetes resolvi fazer o Empretec, um curso do Sebrae, que mudou a minha vida. Nele eu me descobri empreendedora. Porque, na verdade, a gente não é preparado para ser empreendedor né? Nós somos preparados para ser assalariados. Minha mãe sempre falava: “Faz concurso!” até hoje ela ainda fala. Sei que ela quer o meu bem e que possui os motivos dela para dizer isso, mas hoje me sinto muito realizada em trabalhar na Alento. Prefiro mil vezes chegar na casa de uma pessoa e ser recebida com um largo sorriso e dizer: “Oba, sorvete!” , do que advogar.

Meu marido — Diogo Trugilho, meu sogro, Gerson Trugilho, meus irmãos e muitos amigos me incentivaram muito nessa caminhada, sou muita grata a cada um deles.

Sou muito grata também ao Vladimir e sua equipe da Lumina Design. Eles provaram o meu sorvete e gostaram tanto que disseram: “você precisa de uma imagem legal, nós vamos fazer para você, pois acreditamos no seu produto. Não preocupe com o pagamento, vamos facilitar o máximo que pudermos. “Nós queremos cuidar da sua identidade visual”. O trabalho deles valorizou muito o produto.

Em janeiro, vim pra esta casa, porque nós crescemos muito e não podíamos continuar mais lá na Vila, que é um outro negócio né?

Inicialmente, eu pretendia vender os sorvetes para restaurantes, mas fui procurada pela Laís Pimentel, da Casa Pimentel, para comercializar os sorvetes em seu Empório e deu super certo, então hoje além de atender restaurantes como o Au Bon Vivant, Olga Nur, Expresso 500, The Taste, atendo alguns empórios como a Casa Pimentel em Contagem, o Empório Santa Isabel, a Ponto Natural, em Belo Horizonte e participo do Experimente, que é uma feira que faço questão de estar presente. Em 2016 quero expandir participação em feiras e participar do Festival de Gastronomia de Monte Verde, do festival de gastronomia de Tiradentes e do Fartura BH.

Experimente: Quem faz parte da Alento?

Talita Visa: Nós somos duas pessoas, eu e a Juliana Ito, que hoje é responsável pela produção. Geralmente eu desenvolvo a receita e passo para ela cuidar da produção. Hoje ela já me ajuda também a desenvolver novos sabores, ela é minha sorveteira. Eu fico mais na parte comercial, financeira, todo o resto né?

A gente tem que se desdobrar, faço também as entregas, porque eu acho muito importante ter esse contato direto com o cliente e, como eu ainda tenho poucos clientes, eu gosto de visitá-los, ver como é que estão as vendas, se está tendo alguma dificuldade ou dúvida técnica. Muitas vezes preciso esclarecer sobre o cuidado com o sorvete, pois como ele não leva gordura hidrogenada, se ficar a uma temperatura de -20ºC ele pode endurecer, então eu aconselho a deixá-lo -13ºC, para ficar em uma consistência boa. Acho que é importante fazer as pessoas conhecerem seu produto e saber trabalhar com ele.

Gosto também de deixar os clientes participarem do processo de desenvolvimento de um novo sabor. Lá na Casa Pimentel, por exemplo, pediram para eu fazer um sorbet de hibisco, e eu adorei a ideia, porque adoro fazer esses testes, então enquanto eu posso, enquanto eu tenho braços para ter toda essa atenção farei tudo para mantê-la!

Experimente: Pra você o que é o conceito da Alento, o que a marca significa, o que você quer passar pras pessoas?

Talita Visa: A palavra Alento significa nutrição, respiração, fôlego, coragem. Quando eu pensei esse nome, achei ele super legal porque é isso que a empresa significa para mim e o que eu quero levar para as pessoas sabe? Quero levar um momento de Alento para as pessoas, que elas parem no meio de um dia estressante (ou depois dele) e pensem assim: “Nossa, deixa eu aproveitar a vida, deixa eu aproveitar este momento, deixa eu curtir uma coisa que me faz bem e que me dá prazer.” essa é a ideia da Alento.

Experimente: A Alento existe há apenas 6 meses né? Neste tempo como que funciona a questão dos sabores para você, sempre tenta uma coisa nova?

Talita Visa: Se eu pudesse, ficaria o dia inteiro na cozinha desenvolvendo sabores novos, adoro isso, mas a empresa precisa de muitas coisas para “sobreviver”, então não tenho tanto tempo para isso.

Desenvolver novos sabores é um desafio super legal, então sempre que alguém sugere um novo sabor eu fico doida para desenvolvê-lo. Sou doida para fazer o sorvete de cerveja, por exemplo, só que eu também preciso pagar as contas. Então preciso equilibrar meu tempo entre vender os sorvetes que faço, e continuar desenvolvendo, porque eu adoro essas novidades!

Os novos sabores sempre surgem de alguém, tenho vontade de postar um dia quem sugeriu cada sabor. O de lavanda, foi sugerido pelo chef Rodrigo Viana do Olga Nur. O sorbet de mojito quem pediu foi o pessoal da Lumina Design. Eu gosto que isso venha de fora, pois cria um vínculo bacana.

Qual foi o sabor mais desafiador?

O de limão capeta, limão rosa, um pote dele tem mais de 10 limões.

Ele é um sorbet, bem azedo e foi difícil chegar na textura dele, chegar no sabor, é difícil fazer com que ele não fique amargo. Ele foi o mais desafiador, o mais difícil, mas é um sorvete que a gente adora e os clientes também. Mas como ele é sazonal, nem sempre consigo fazer. Teve um dia que um cliente falou “Talita, se eu encontrar o limão rosa e levá-lo na Alento, você faz pra mim?” Eu falei: “Claro!”

É verdade que você foi aluna do Beto Haddad? Como foi essa troca com ele?

Eu conheci o Beto Haddad no concurso Novos Talentos da gastronomia, ele estava na minha banca avaliadora. A partir daí eu virei uma admiradora e quando entrei no Senac pedi para fazer uma aula particular com umas amigas. Adoro o Beto!!

Você se inspira em algum chef?

Sim, em muitos. A primeira referência que tive foi o Guilherme Melo e por isso me esforcei muito para poder trabalhar com ele e na época até fizemos um mini grupo de estudos sobre gastronomia brasileira, com outros dois cozinheiros do restaurante.

Gosto muito do trabalho do Leonardo Paixão e aprendi muitas técnicas importantes, enquanto trabalhei no Glouton.

Eu também adoro o trabalho do Ari Kespers, do Provence de Cottage, o conheci trabalhando com ele no festival de gastronomia de Tiradentes e tivemos uma grande sintonia! Ele me inspira muito!

Sou fã também do Beto Haddad, da Angélica Vitali, do Jaime Solares, do Rodrigo Viana, Silvana Watel e me inspiro muito no trabalho do Jordi Rocca.

Quais são seus planos para o futuro da Alento?

Pretendo ficar nesta casa 1 ano, depois mudar para uma casa maior e nela ter uma divisão, uma área laboratorial, para desenvolver novos sorvetes, a outra para a produção dos sabores que já foram desenvolvidos. Gostaria de encontrar um parceiro que queira abrir uma sorveteria, para eu fornecer os produtos, não pretendo abrir a sorveteria, queria crescer como fabricante e distribuidora, me espelho na Häagen Daz.

O que você acha de participar do Experimente, como que você se sente como parte da feirinha de produtores e, como que se prepara para expor na feira?

Eu participei de quase todas as edições da Experimente, 2 vezes pela Alento, algumas vezes como consumidora e outras pela Grano. Eu adoro essa feira, porque tem muita música boa, todas as barracas possuem alimentos de qualidade e acho super organizada, então sempre me programo pra ir.

Quando abri a Alento, foi a primeira feira que fiz questão de participar porque eu gosto muito mesmo. Para participar eu conversei com tanta gente, pedindo para me indicar, até chegar no Cacá, que é o curador gastronômico. Fiz muita força para participar e valeu a pena.

Experimente: Para finalizar, o que você acha de produtores e cervejarias fazerem parte de um evento, como o Experimente, expondo no mesmo espaço?

Talita Visa: Acho isso fantástico, porque esses eventos têm feito as pessoas conhecerem a qualidade de uma cerveja artesanal, de não beber para ficar tonto ou consumir aquela bebida estupidamente gelada, acho que é uma cultura que está se criando de se tomar cerveja, de reconhecer os produtos artesanais. Além disso, a cerveja pede uma harmonização. Um tira gosto, uma salsicha, de ter elementos que se complementam, e até os sorvetes, por que não?

Além disso, acho que essa feira é uma grande oportunidade para os produtores se conhecerem e se relacionaram. Estamos em uma época de valorização dos pequenos produtores artesanais. Devemos nos juntar, para nos tornarmos mais fortes.

Com isso surgem até produtos novos, numa cocriação. Eu faço, por exemplo, meu sorbet de goiabada com a goiabada da Cristy, então onde eu vou levo a marca dela e onde ela vai pode levar a minha marca, isso é parceria. Tenho uma parceria com a Uaimii, que me cedeu cervejas deles para fazer os testes da tão sonhada receita do sorvete de cerveja.

Experimente: E afinal de contas, esse sorvete de cerveja vai sair?

Talita Visa: Vai, vai sair! Um dia vou conseguir desenvolvê-lo.

Eu ouvi esses dias uma frase que me chamou muito a atenção do pessoal do Jardim das Ervas, da fazenda Dei Falci, que trabalha com produtos orgânicos, eu utilizo o manjericão e a hortelã deles, a frase é a seguinte:

“Quem quer ir rápido, vai sozinho; quem quer ir longe, vai em grupo.”

No próximo mês você vai conhecer mais uma história inspiradora, continue nos acompanhando. Até lá!

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