Viola e cerveja, uma composição musical

Jefferson Cária é daquelas pessoas que leva mesmo seus hobbys a sério. Foi assim que o engenheiro eletrônico resolveu juntar suas duas paixões: a viola e a cerveja artesanal. E assim nasceu a Cervejaria Maviosa.

Natural da cidade de Machado, no interior de Minas, Jefferson se encantou pelas artesanais aos poucos: “Quando o interesse de fazer cerveja surgiu, comecei a reparar nas pessoas que já faziam; quando tomo uma cerveja que gosto, me desafio a fazer algo parecido ou até melhor, isso me incentiva a melhorar o processo. “ explica o homebrewer.

Já sua relação com a música começou na infância, durante a escola aprendeu o trompete e, logo depois, aos 12 anos ganhou o primeiro violão de seu pai, e não parou mais! De lá pra cá foram anos experimentando novos instrumentos, vieram a guitarra, o contrabaixo e finalmente a viola caipira.

Desenvolvida no interior do Brasil, a viola caipira possui dez cordas e um som impressionante! Foi este som que fez com que Jefferson começasse a frequentar um encontro de violeiros, aos sábados, no Mercado das Borboletas.

Uma dupla musical e saborosa

Unindo esses dois hobbys, Jefferson criou a Cervejaria Maviosa. A viola caipira inspira todo o processo, e as cordas do instrumento dão nomes aos rótulos da cervejaria.

Maviosa é uma palavra do português arcaico, que o homebrewer encontrou estudando sobre a história da viola; a palavra quer dizer harmoniosa, definição mais do que apropriada para combinar suas duas paixões: a viola e a cerveja.

Ao todo, o instrumento é composto por cinco pares de cordas, que inspiraram o Jefferson a nomear suas cervejas: Toeira, Turina, Canotilha, Requinta e Prima.

✔ Toeira: No linguajar do povo da roça, Toeira quer dizer toar , ou seja, dar o som mais forte; por este motivo surgiu uma IPA, o primeiro rótulo da Maviosa.

✔ Requinta: Da vontade de criar uma Stout, estilo que tem notas de café e chocolate, nasceu a Requinta, que significa a corda que tem o som mais suave.

✔ Turina: Esta é a corda com o som mais agudo, é a Pale Ale da Cervejaria Maviosa.

✔ Toada: Logo depois, veio a vontade de criar uma cerveja forte, aí Jefferson pensou numa Brown IPA, que tem notas de chocolate no final. Assim veio a Toada, que é um ritmo simples da viola.

✔ Canotilha: Essa será a próxima cerveja, uma Weiss chamada Canotilha, que significa “o fio de ouro mais fino”. Esta comparação veio do trigo que também é amarelo.

As criações de Jefferson não se limitaram apenas nas cordas, em seus planos está a criação de cervejas com as afinações da viola, ao todo são mais de cem variações, entre elas as mais famosas são: cebolão, boiadeira, o rio abaixo, rio acima.

“Quero fazer uma cerveja chamada “Rio abaixo”, porque reza a lenda do povo do interior que o capeta sempre quis ser violeiro. E dizem que ele afinava a viola em rio abaixo e ia descendo o rio de canoa tocando viola, o som ia desvirtuando as moças para um mal caminho. Imagino que essa cerveja seria bem forte!

E a afinação cebolão não dá pra fazer cerveja né? RISOS Mas dizem que a viola afinada em cebolão é tão bonita que as moças quando escutam, choram. É um som feito em camadas.”, conta Jefferson.

Ainda sobre suas criações e sua inspiração para criar as receitas cervejeiras, o homebrewer conta que prefere não utilizar o “Beersmith”, software que calcula a fórmula e a quantidade dos ingredientes para se fazer uma determinada cerveja. “O sistema nos deixa meio engessado, acho que perde um pouco do romantismo de fazer a cerveja, dessa experimentação de fazer em casa. Quando produzo algum rótulo novo, não acerto de primeira. Vou acertando até chegar no ponto”, diz Jefferson que agora está preparando sua primeira receita “fora do padrão” utilizando uma raiz que ainda mantém em segredo.

Enquanto isso, apreciamos uma moda de viola e ficamos aguardando para apreciar mais uma composição cervejeira da Maviosa.


Ficou inspirado com a história do Jefferson? Aproveite para misturar, ousar e unir seus hobbys prediletos também. Quem sabe não saem cervejas deliciosas deste casamento? 
Até mês que vem!