Laila Soueif

Laila Soueif é conhecida nacionalmente pela sua força e persistência na luta pelos direitos civis e pela justiça social no Egito. Sua trajetória como ativista começou cedo, aos dezesseis anos de idade, quando se juntou, sem autorização de seus pais, a manifestantes na Praça Tahrir. O ano era 1972 e os manifestantes reivindicavam, do então presidente Anwar Sadat, a recuperação da Península do Sinai de Israel. Duas horas depois de sair de casa, Laila foi alcançada por seus pais, que a levaram de volta para casa.

Apesar da reprimenda, os pais de Laila a criaram em um ambiente favorável e com ampla liberdade de expressão e pensamento. Com condições para frequentar a universidade, decidiu cursar matemática na Universidade do Cairo, tornando-se, posteriormente, professora na mesma instituição. Nessa época, conheceu seu futuro marido, Ahmed Seif. Com o casamento, o nascimento de seu primeiro filho, Alaa, e sua nova posição como professora, Laila manteve-se afastada do cenário político. Isso foi modificado, porém, com o assassinato de Sadat por fundamentalistas islâmicos e a ascensão imediata de Hosni Mubarak, seu sucessor, em 1981. Durante seu governo, Mubarak espalhou o terror e a repressão contra ativistas políticos e líderes de oposição. Ahmed, por exemplo, foi um dos ativistas presos e torturados até assinar uma carta em que confessava crimes contra o governo. Esta carta rendeu-lhe uma sentença de cinco anos de prisão. Nesse momento, Laila e Ahmed enfrentaram uma séria questão: ou Ahmed se submetia à decisão e se entregava, ou o casal buscava algum tipo de fuga. A última opção foi escolhida e o casal viveu, durante vários meses, escondido do governo. Em determinado momento, ambos perceberam que esta atitude se revelou inútil e não poderia ser levada mais adiante. Ahmed entrega-se e Laila, grávida do segundo filho, volta para sua rotina na universidade. Na prisão, Ahmed começa a estudar direito para lutar por uma reforma no judiciário do país e torna-se, em liberdade, um proeminente advogado dos direitos humanos.

Em 24 de janeiro de 2011, na véspera dos protestos decisivos da Praça Tahrir, que culminaram na deposição de Mubarak, Laila permanecia calma e cética em relação ao clima de mudança. Em uma conferência que antecedeu a grande manifestação, Laila respondeu do seguinte modo a um organizador do evento que lhe perguntou se voltaria no dia seguinte: “Bom, amanhã nós teremos uma revolução, mas, se ela acabar mais cedo, sim, estarei aqui”. No dia seguinte, pelo menos 15 mil pessoas estavam presentes na Praça Tahrir reivindicando mudanças e a deposição de Mubarak, enquanto tantos outros, de outros bairros e outras regiões, dirigiam-se ao local. Laila lutou e manteve-se nas manifestações durante o tempo todo.

Mesmo com a possibilidade de se manter em uma posição confortável no país, Laila ganhou a reputação de uma incansável “líder das ruas”, com a participação em inúmeras marchas de protesto contra o governo. Esta atitude, segundo ela, advém da consciência de sua posição, em certa medida ambígua, como professora universitária: por um lado, desfruta de certo grau de imunidade, um privilégio que poucos possuem no país; por outro lado, tem a responsabilidade de utilizar essa posição para ser a voz daqueles silenciados e oprimidos continuamente pelas forças do governo. Laila acredita que este é seu dever como cidadã: “É meu dever fazer isso, pois assim, pelo menos, todos são lembrados que não possuem o direito de esmagar as pessoas”.

Fontes: The New York Times Magazine

Like what you read? Give Zakat a round of applause.

From a quick cheer to a standing ovation, clap to show how much you enjoyed this story.