Dossiê Astral

Um resumo sobre o Projeto StarGate

Xaoz Ars Magicae
Nov 5, 2018 · 7 min read

O projeto StarGate foi desenvolvido pelos EUA de 1978 até 1995, e envolveu diversas técnicas e treinamentos de Visualização Remota, também conhecida em diversas práticas de ocultismo como Projeção Astral ou Projeciologia.

Militares eram treinados para se concentrarem e visualizarem o que ocorria em lugares pré-determinados, para monitoramento do inimigo ou em busca de pistas sobre informações e elementos que poderiam ser averiguados. Embora as informações obtidas nos experimentos fossem subjetivas e sujeitas a erro, o conteúdo dos documentos do Projeto tem grande valor como um guia para treinamento em Projeção Astral, do nível iniciante até o avançado, incluindo diversas metodologias de estruturação dos treinos.

Imagem: Cabeçalho de um documento sobre o projeto STAR GATE.

A Literatura

O projeto StarGate tem início em uma revisão bibliográfica extensa sobre parapsicologia, compilando mais de 1.000 referências na forma de artigos, investigações experimentais, literatura científica, análise crítica de dados, entre outros tipos de documento. As experiências pregressas foram estudadas em busca do estado da arte a partir do qual os desenvolvimentos seriam feitos, mas também para organizar melhor os dados de uma forma estruturada, além de remover dados corrompidos ou falsificados (segundo o relatório, abundantes por toda a literatura).

Segundo o próprio relatório, as fraudes e a falsificação de dados foram alguns dos motivos que fizeram os pesquisadores de parapsicologia serem deixados de fora da comunidade científica, sendo relacionados a mágicos, charlatões e escritores de ficção. Somente no final dos anos 70 o fenômeno da “visualização remota” começou a ser estudado por cientistas com alguma reputação (físicos e médicos), o que criou um crescente interesse pelo assunto na comunidade científica mundial.

Imagem: alguns experimentos realizados.

Independente da reputação dos estudiosos, assim como muitos fenômenos psicológicos, a visualização remota funciona de forma não determinística, requerendo importante etapa de interpretação dos resultados, além de uma análise crítica que separe a visualização em si de qualquer memória do vidente. Além disso, há a barreira da comunicação, quando o vidente precisa explicar verbalmente ou por meio de desenhos o que foi visto, o que nem sempre ocorre da forma mais inteligível possível. Sendo assim, era necessário estabelecer uma estrutura para a obtenção dos dados e sua análise, que também permitisse a reprodutibilidade dos dados, lidando assim com o viés pessoal e interpretativo.

Imagem: ilha desenhada após visualização remota.

A técnica Qigong

Na China, muito devido ao paradigma espiritual Oriental ser mais desenvolvido que o Ocidental, e menos dual entre mundo físico e mundo astral, as pesquisas com parapsicologia já haviam se iniciado muito antes dos EUA. Em uma pesquisa já em estado avançado, em 1981, as escolas elementares foram avaliadas em busca de crianças com habilidades especiais. Cerca de 100 crianças com tais habilidades foram descobertas, e muitas delas podiam reconhecer caracteres sem vê-los, mover objetos sem tocá-los e fazer com que flores abrissem mais rápido. Porém, os estudos foram interrompidos, pois dizia-se que eram supersticiosos e “contrários ao Marxismo”, chegando a ser considerados magia barata e truques de ilusionismo.

Imagem: brinquedo infantil visualizado remotamente.

Mesmo com a interrupção das pesquisas maiores, algumas pesquisas menores de mais longo prazo continuaram, e os resultados foram compilados, gerando uma forma de treinar pessoas “comuns” em habilidades especiais, chamada técnica “Qigong”. Esta técnica foi descrita na Revista Nature, e foi em grande parte utilizada pelos EUA em seus estudos no Projeto Star Gate.

Figuras e Cores

Uma das pesquisas realizadas a longo prazo na China foi um estudo de dois anos com uma criança que havia mostrado habilidades especiais. Em 1968, nasceu a pequena Feng, e em 1979 sua família percebeu que podia distinguir cores e imagens em cartas, sem usar os olhos. Feng tinha um alto percentual de acerto quando submetida a testes, e de 1982 até 1983 (14 a 15 anos) foi objeto de pesquisa da Universidade de Beijing, quando foram avaliadas suas habilidades e estudada a influência de sua menstruação nas práticas de visualização.

Os testes eram conduzidos colocando cartas dentro de um tecido escuro, e pedindo para que Feng adivinhasse o que estava desenhado nas cartas. Os resultados eram calculados percentualmente em relação a um certo número de cartas por sessão, e divididos entre Cores e Figuras contidas nas cartas.

Imagem: gráfico de percentual de acertos de figuras e de cores (100% no topo do eixo vertical; menstruações marcadas sobre o eixo horizontal).

Antes mesmo dos testes, foi observado que as capacidades parapsíquicas de Feng eram poderosas e permaneceram constantes de 1979 até 1982. Porém, após sua primeira menstruação, as habilidades tiveram uma queda, e neste teste foi possível observar que diminuem nas proximidades dos períodos menstruais. A habilidade para reconhecer figuras tem grande correlação com a habilidade para reconhecer cores, levando a crer que passam por um mesmo circuito cerebral, porém em alguns momentos há um descompasso devido à concentração do sujeito.

Números e Letras

Outro teste importante realizado na China usou como sujeito uma adolescente de 17 anos chamada Du Ping. Neste teste, caracteres e números foram colocados em um saco de tecido onde Du Ping introduzia suas mãos, reconhecendo os Números e Letras, e posteriormente verbalizando ou escrevendo em um quadro. Nos 17 testes, Du Ping reconheceu um total de 232 caracteres, 14 selos postais, uma figura arrancada de uma caixa de sabonete e palavras estrangeiras escritas por terceiros.

A avó de Du Ping já havia sido descrita como tendo habilidades paranormais, bem como três gerações de sua família, levantando uma hipótese de transmissão genética dessas habilidades. Percebeu-se também que, ao contrário de Feng, as habilidades de Du Ping não tiveram declínio após sua puberdade. Além disso, neste teste, Du Ping informou que não conseguiria fazer o reconhecimento dos caracteres caso alguém estivesse filmando ou fotografando, pois isso atrapalharia os processos mentais necessários para que sua habilidade se mostrasse.

Objetos

Imagem: guindaste móvel real e desenhado após visualização remota.

Inúmeros testes foram realizados pelos EUA para visualização de objetos e equipamentos específicos, visando obter detalhes construtivos dos mesmos, com a finalidade de espionar, à distância, os desenvolvimentos tecnológicos de outros países. Os participantes deveriam focalizar em uma determinada coordenada geográfica, onde havia um objeto conhecido, e então descrever e/ou desenhar detalhes deste objeto. Máquinas fotocopiadoras, máquinas de escrever, relógios de ponto e outros objetos foram visualizados com sucesso, incluindo o caso excepcional de um guindaste que foi desenhado em grande detalhe pelo vidente.

Após os testes com objetos pontuais, os sujeitos foram submetidos a testes de visualização de objetos arquitetônicos como pontes, chafarizes, prédios, pilares, piscinas e quadras. Neste caso, primeiro eram dadas descrições simples das características do local, e em seguida as características eram interpretadas enquanto um elemento arquitetônico específico. Um júri independente foi convocado para analisar os resultados e conferir notas que permitissem verificar a evolução de cada aprendiz.

Imagem: desenho mostrando um alvo visualizado remotamente.

Lugares

A descrição completa de lugares foi o nível mais completo de realização dos experimentos. Para tal, foi construída uma estrutura de análise que permitisse ao vidente caracterizar a locação, com base em suas estruturas, interfaces, contornos e elementos adicionais.

Imagem: procedimento para descrição de locais visitados por projeção astral.

Nos relatórios, são citados possíveis usos da técnica, com base na análise dos resultados dos mesmos. Um dos exemplos é o uso da visualização remota para descobrir a localização de alvos (indivíduos ou objetos) escondidos, como por exemplo em casos de sequestro. Merece destaque uma análise que mostra que, em casos de busca ou resgate de reféns, a área de busca pode ser reduzida em até 72% pelo uso da técnica, o que economizaria recursos financeiros e tempo das equipes.

Outros testes

As técnicas de visualização remota e outras técnicas de concentração foram utilizadas no projeto StarGate para outras finalidades, como por exemplo influenciar sistemas biológicos apenas olhando para eles. Neste experimento, 9 das 32 pessoas foram capazes de proteger as hemácias do sangue contra a hemólise de forma significativa, e verificou-se que esta habilidade depende fortemente do indivíduo, variando muito de pessoa para pessoa.

Os experimentos do Projeto StarGate foram interrompidos em 1995, sendo dito pela CIA que os resultados nunca foram utilizados realmente em qualquer operação de inteligência. Porém, documentos indicando sessões de visualização remota posteriores a esse ano podem ser encontrados, o que permite inferir que, mesmo que não tendo seus resultados utilizados diretamente, a prática foi utilizada para reduzir o escopo de buscas, ou direcionar as incursões que fossem realizadas, economizando esforços.

Imagem: quadra de tênis visualizada remotamente.

Como já mencionado, independente de sua utilização militar, o arcabouço criado no Projeto StarGate pode muito bem ser aproveitado para treinamento em projeção astral, permitindo quantificar o progresso individual e planejar experimentos e testes.

Por: RoYaL.

Referências: relatório sobre os testes na China; compilação de artigos sobre fenômenos mentais; sumário e avaliação crítica da pesquisa; descrição dos experimentos planejados pela CIA; outros documentos da CIA desclassificados.

Xaoz Ars Magicae

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Este projeto visa compilar, analisar e desenvolver as bases do conhecimento de sistemas mágicos, afim de propiciar suporte aos que estão trilhando este caminho.

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