Tudo bem, talvez vir aqui não foi uma das melhores ideias que eu já tive.

Aqui estava eu, extremamente entediada, diga-se de passagem, na arquibancada de um dos campos de futebol da universidade. Mike estava jogando com uns colegas de uma fraternidade masculina da universidade.

O lugar não estava muito cheio, apenas algumas meninas dando risadinhas – provavelmente do primeiro ano de relações públicas – toda vez que um cara olhava para qualquer lugar que não fosse o campo, e um pequeno grupo espalhado pelos assentos lendo alguma coisa em silêncio.

Eu realmente não queria ir á principio, precisava terminar o trabalho do Sr. Hill o mais rápido possível, mas depois da quinta vez que eu me peguei dormindo na mesa, decidi que precisava tomar um ar. Mas eu não pensei em como os assentos daqui eram minúsculos e extremamente desconfortáveis.

Mike ainda não tinha percebido que eu estava aqui, deveria estar preocupado demais em tentar fazer um gol para poder se gabar pelo resto da semana.

— Esse lugar tá vazio? — ouço alguém perguntar ao meu lado.

Viro-me em direção a voz, e vejo Kyle sorrindo indicando o assento ao meu lado.

— Hey. – digo afastando minhas pernas para ele poder se sentar.

— Então, quem tá ganhando? — diz ele se acomodando no pequeno assento vermelho.

— Eu realmente não estou prestando atenção. – admito.

— Veio espionar o namorado? — pergunta ele divertido.

— Não. – digo sorrindo. – Eu só precisava fugir um pouco dos princípios da efetividade e da contradição.

— Isso não é só pra entregar mês que vem?

— Eu só não quero acumular tudo depois.

Kyle levanta as sobrancelhas, porém não diz nada.

— E você? Não parece muito seu estilo ser cheerleader da LSE.

Você acha que eu ai perder um bando de caras sem camisa morrendo de calor depois de um jogo agressivo de futebol? — diz ele como numa piada.

Kyle e eu estávamos mais próximos depois que tivemos que fazer o trabalho juntos, e eu sabia que a maior parte do que ele falava era brincadeira. Ele morava na fraternidade com a maioria dos caras que estavam jogando, e sempre se deu muito bem com todos eles. Na verdade, ele era bem reservado em relação a sua sexualidade e essas coisas, mas como ele mesmo diz: “É melhor eu fazer piada de mim mesmo, do que deixar o trabalho pro resto do mundo.”.

O jogo termina e Mike ainda não tinha notado minha presença. Observo ele indo em direção à arquibancada oposta e começa a conversar com uma morena, que não parava de sorrir desde que ele apareceu na sua frente.

Peraí, eu conheço esse cabelo com essa franjinha simétrica de 2008.

— Tá tudo bem? — pergunta Kyle percebendo a minha mudança de expressão repentina.

— Uhum – digo com a voz enguiçada enquanto vejo os dois se despedirem.

Mike começa a vir em direção ao vestiário que concidentemente ficava ao lado da arquibancada que Kyle e eu estávamos. Ele me avista e abre um sorriso como se não me visse em anos. Ok, Taylor, isso não é hora de amolecer.

Hey. – diz Mike quando se aproxima me dando um selinho. – Você disse que não podia vir.

— Mudança de última hora. Por quê? Você não queria que eu viesse?

Claro que sim, eu praticamente implorei pra você vir antes. Só to surpreso, só isso. – diz ele colocando um braço sobre meus ombros.

Afasto seu braço e Mike franze as sobrancelhas percebendo minha frieza.

E aí, Wyatt? — diz Mike finalmente notando Kyle.

— Aquela carretilha que você fez no Jackson no finalzinho, cara foi demais. – diz Kyle apertando a mão de Mike.

Se você quiser, eu te chamo pra jogar no meu time no próximo jogo.

— Claro, só não prometo que vou conseguir chutar a bola pro lado certo.

Mike da um sorriso de lado.

Ele e Kyle também tinham se aproximado mais. Quero dizer, eles não eram amigos, mas pelo menos Mike não se revolta mais toda vez que vê nós dois juntos estudando, ou simplesmente conversando nos corredores da universidade.

— Então, eu já vou indo, eu prometi pros caras que eu ia ajudar eles a arrumar a casa antes que os pais do Louis viessem visitar ele. – diz Kyle se despedindo.

Mike espera Kyle desaparecer de vista e me puxa pela mão até o vestiário sem nenhuma palavra.

— Eu não acho que isso seja uma boa ideia.

Relaxa, todo mundo já foi embora. – diz ele me levando em direção aos armários. Encosto-me a um deles, esperando.

Vai me dizer o que deu pra você tá assim?

— Nada. – digo olhando para o chão.

Tay? — Mike levanta meu queixo para olhar nos meus olhos.

— Sério, nada.

Sei. – diz ele afastando meu cabelo de um de meus ombros dando leves beijinhos pelo meu pescoço.

— É só que você é tão… – paro de falar quando sinto sua respiração perto do meu ouvido.

Lindo? Maravilhoso? Irresistível?

— Idiota. – suspiro e ele me da um beijo na parte da orelha. – Isso é trapaça.

Eu nunca disse que jogava limpo. – diz ele rindo e se afasta. – Vai me dizer agora?

Suspiro de novo e assinto. Tudo bem, talvez seja melhor falar tudo de uma vez.

— É que, olha eu sei que é idiota, mas mesmo assim, e daí eu vi vocês, e eu sei que não é nada, eu que sou paranoica…

Peraí, isso não tem nada a ver com Ashley ter aparecido no jogo hoje, certo?

Olho para as portas do banheiro tentando não parecer mais patética do que eu já estava.

Tay, ela veio se desculpar pelo dia do pub, ela percebeu que ela foi longe demais. A gente já conversou sobre isso, eu pensei que você tivesse entendido. – diz ele me puxando para ele pela cintura.

— Certo. – murmuro.

O jeito que ela estava sorrindo não parecia tão arrependido assim, penso.

Mike corta meus pensamentos e encosta uma de suas mãos na minha bochecha, e me beija suavemente. Ele ainda estava com o cabelo úmido por causa do jogo, e cheirava a grama recém-cortada. Ele trilha as pontas dos dedos pelas minhas costas por debaixo da minha camiseta, me dando pequenos calafrios. Mas dessa vez eu não me importei em para-lo. Aprofundo o beijo mordendo seu lábio inferior. Mike grunhe e se afasta.

Alguém já te disse o quão bonitinha você fica quando tá com ciúme? — diz ele quando nos separamos.

— Alguém já te disse o quanto você tá fedendo?

Engraçado, você não parecia estar reclamando há alguns minutos atrás. – diz ele me abraçando mais forte.

— Eu to tentando brigar com você, colabora comigo.

Eu não quero brigar com você hoje, talvez amanhã. – diz ele encaixando seu queixo sobre meu ombro.

— O seu bom humor sem sentido me irrita ás vezes.

Deixa eu ver: É sábado, eu passei o dia jogando uma das coisas que eu mais gosto no mundo, fiz os dois melhores gols do jogo, e agora eu to num vestiário deserto com a minha namorada teimosa, eu acho que o meu bom humor tem muito sentido.

Nós ficamos abraçados num silêncio confortável por um tempo.

— Mike?

Hum? — diz ele, mesmo não conseguindo ver seu rosto eu sabia que ele estava sorrindo tolamente.

— Vai tomar banho.

Apresada pra me ver como eu vim ao mundo, Srta. Evans? — diz ele enfim se separando de mim. – Quem é você e o que você fez com a minha caretinha?

— Babaca. – digo tentando não rir da sua cara de falso espanto.

Fica tranquila. Eu não faria um strip-tease pra você. – diz ele já indo à porta onde provavelmente ficavam os chuveiros. – Faria dois.

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