Com ou sem Religião!

“Eu odeio e desprezo as suas festas religiosas; não suporto as suas assembléias solenes. Mesmo que vocês me tragam holocaustos e ofertas de cereal, isso não me agradará. Mesmo que me tragam as melhores ofertas de comunhão, não darei a menor atenção a elas. Afastem de mim o som das suas canções e a música das suas liras. Em vez disso, corra a retidão como um rio, a justiça como um ribeiro perene! Amós 5:21–24 (NVI)

Amós, penso eu, está entre os primeiros a proporem a ideia da “religião sem religião”, a qual significa mais justiça e cada vez menos ofertas queimadas e solenes assembléias. Para Amós, o nome de Deus é o nome da justiça, e a justiça não é uma ideia mas uma ação, e sua verdade só é alcançada se fazendo a verdade, em fazer a justiça acontecer. A justiça não é alcançada com o falatório de assembléias solenes, mas na caminhada rumo a periferia das cidades. A justiça de Deus, o Deus da justiça — é uma ação, um como.

Desse modo, no fim dessas reflexões Sobre Religião, nós aprendemos que a distinção entre teísmo e ateísmo, e religião e irreligião, é envolvida em uma certa confusão e sujeita à santa indecidibilidade que eu estive analisando. Pois religião é o amor por Deus, que viver uma transformação da vida quando a justiça corre como as águas, que é negada também quando a justiça é negada. “Se alguém diz: Eu amo a Deus, e odeia a seu irmão ou a suas irmãs, é mentiroso.”1 João 4:20 A justiça acontece dentro e fora das religiões históricas, dentro com os Dietrich Bonhoeffers e Madre Teresas e os incontáveis santos desconhecidos que levaram vidas de heroísmo quieto e obscurro servindo os últimos entre nós enquanto o resto de nós vivemos uma vida de conforto. E fora, por que não há sequer uma esfera secular na qual possamos estar tão seguros de que nenhuma chama religiosa arde. A Religião — com ou sem religião — onde quer que estejam os homens e mulheres que amam e servem a justiça, que amem e servem a Deus.

John D. Caputo. On Religion. pgs. 135–6

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