Por uma nova União Europeia.

Publicado originalmente no Público, 24 Junho 2016.

Cresci com a União Europeia (UE). Lembro-me da adesão de Portugal, da entrada de novos países, da abolição das fronteiras, da moeda única, dos estudantes Erasmus e muito mais. Hoje trabalho na Holanda, onde, com fundos estruturais da UE, desenvolvo projectos educativos e científicos com educadores e cientistas de todo o mundo.

A lista de benefícios da UE para vários quadrantes da sociedade é longa, mas infelizmente por toda a Europa há sectores da sociedade que se sentem abandonados pelas políticas da união e dos seus governos. A nível nacional esse abandono tem um bode expiatório perfeito: a “distante e austera” UE. No Reino Unido, a vitória do “Brexit” não é um voto dos “pobres, rurais e incultos”, mas sim um voto de sectores da sociedade descontentes com as políticas das últimas décadas. E esse sentimento de abandono, com um discurso populista e por vezes enganador, foi terreno fértil para posições assustadoramente extremas (como a xenofobia) em toda a campanha do “Brexit”.

Mas agora precisamos urgentemente de reforçar as fundações sociais da UE e repensar a política de desenvolvimento socioecónomico das regiões e sectores da sociedade que têm consecutivamente sido abandonados. Hoje, mais do que nunca, precisamos de uma UE onde os valores sociais prevaleçam sobre os económicos.