Má que diabos é apropriação cultural?
Suzane Jardim
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Você trata com desdem a artista,“Basicamente uma designer x ai (que eu não vou citar o nome pra não receber um processinho™ em casa) que estudou nas Holanda, mora nas Europa e essas parada tudo, resolveu ””””resignificar”””” o pixo.” Deixando a entender que o fato dela morar na Europa faz dela alguém da elite, que é justamente o alvo das pessoas que defendem apropriação cultural e se sentem no direito de criticar e abordar de maneira negativa, pessoas que usam algum adereço, que vocês consideram ser unicamente de uma cultura X. Aliás, ela morar na Europa e essas parada tudo, não faz dela melhor que você e nem você melhor que ela.

Uso diversos elementos de várias culturas, aliás, de culturas consideras oprimidas ou opressoras e independente, conheço a relação global de como cada elemento foi produzido e comercializado.

Nem tudo que você que as pessoas querem defender como sendo delas é apropriação cultural.

Tenho plena consciência do preconceito e o desdem que muitas pessoas tem com inúmeras culturas e principalmente com a cultura Afro, no entanto, tratar tudo como apropriação, banaliza ainda mais o que deveria ser tratado com maior seriedade, um objeto utilizado por diversas culturas e usado por outras tantas há décadas não deveria dar margem para mais preconceito.

Por Alexandre Versignassi:

“Para confeccionar um turbante colorido, você necessita de plantações de algodão na Índia, maior produtora mundial do fio, e operárias no Vietnã, que transformam o algodão cru em malha usando máquinas fabricadas na Rússia. Se a malha requerer elastano, um subproduto do petróleo inventado por um francês, vc vai precisar de uma plataforma de petróleo construída na Coreia, talvez instalada na Nigéria por uma empresa brasileira que contrata engenheiros angolanos e usa brocas alemãs para tirar o óleo lá de baixo. No fim, a malha é pintada com pigmentos à base de chumbo extraído na Mongólia e chega ao porto de Santos num navio Chinês.

Cada turbante da 25 de março, então, é fruto de uma cooperação global que envolve representantes de boa parte das culturas do planeta. Transformá-los em símbolo de conflito racial, como no caso da patrulha contra meninas que usam turbante com motivos africanos sem ter ascendência africana, requer ignorar tudo isso. E qualquer coisa que requeira ignorância jamais tende a ser algo bom.”

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