Pryscila Galvão
Nov 7 · 2 min read

“Ninguém solta a mão de ninguém”
Nessas nóia eu não entro, não faz nem 100 anos que vocês mesmas não me dentro do tal movimento
Querer trampar é fácil, quero ver nascer com pano de prato no ombro
Vai pra rua dar flor pra pm mas ninguém joga uma rosa no naquele corpo
Preto
Caído
em manifestação, seja pela por escola ou por Amarildo
Mas cêis nem ligam
Nem tão ligada no fato de que nossa existência pra eles é lixo
Vocês não tão acostumada da palavra resistência ser vivência, não só filtro
“Se cuidem, vamos nos proteger”
Só essa semana foram 4 menores que foram lutar presos, mas isso vocês não vê
Veio com papo de auto-defesa preta
Pedindo ajuda pras travestis
Veio falando “uma sobe e levanta a outra”, nem vem que isso é história pra boi dormir
Sou filha de búfalo, dona dos ventos
Não vem mexer com quem tá quieto que nóis parte pro arrebento
Bate no peito falando que é bruxa e fala de boca cheia dos meus Orixás
mas na primeira oportunidade fala “Deus me livre” quando vê a pomba girar
Ah, mas com esses papinho vocês não me ganha
Chama de irmã e de mana, me vê acompanhada já logo se assanha
não é papo de rivalidade, é papo de “empatia”
Não vem ser filha da puta e depois meter o louco dizendo que é feminista

Mó fita
Recebi várias mensagens pedindo que eu tenha cuidado
meu cuidado é mútuo com quem me protege, quem protege não dorme, me rege e nem desce
Meu caminho tá aberto e meu corpo tá blindado, é com as armas dele que eu vou enfrentar o dragão Bolsonaro
Meu povo descende da terra, nós somos sementes
Somos fogo e agua, guerreiros eram nossos antecedentes
Vocês tão agora sentindo medo da própria vivência
Seja bem-vindo ao inferno, tenha ciência

Mas cêis tem muito que aprender sobre levar tapa na cara
meu primeiro foi aos 7 dentro da minha própria casa
Nunca foram a “neguinha do cabelo duro” mas agora tá louca pra ser a preta de quebrada?
Não fode!
Os meus tão resistindo nessa porra como pode
Não precisa lançar campanha não, a nossa foi lançada a 400 anos
É povo preto unido e forte que não teme nada, nem a morte!

    Pryscila Galvão

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    Indiretas grandes demais, analises que ninguém nunca pediu e uns textos que eu escrevo quando sinto por dois

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