roquenrou!

1984. o telefone toca na produção do programa revolution da fluminense FM. alô, eu queria pedir uma música. beleza, que música que você gostaria de pedir? help. qual o seu nome? pedro. quantos anos você tem? 9. aaaaahhhhh!!!! a menina do outro lado da linha pirou! ela não acreditava que um menino de 9 anos estava ligando pra rádio pra pedir uma música dos beatles. eu devo ter falado com umas 10 pessoas! o telefone foi passando de mão em mão e todo mundo queria falar com o menino. naquele dia, eu virei um roqueiro!!!

depois, veio o rock in rio I, que fui dois dias com meus pais, o rock in rio II, que fui todos os dias com os convites que um amigo deu, a amizade com um guitarrista, que me aplicou de led, jimi e janis, até chegar nos tempos da faculdade de arquitetura, quando o grupo de amigos que carrego até hoje foi forjado nas caçadas atrás de CDs raros e em muitas horas de neil young, doors, jefferson airplane, mountain, humble pie, free, wishbone ash… a lista seria interminável. fomos a todos os shows. muitas vezes no rio e em são paulo. viajamos na gringa, montando os roteiros a partir das gigs. nessas, eu vi o buddy guy em groningen, o mick taylor num subúrbio parisiense, o pearl jam em montreal, o robert cray no pé das torres gêmeas. eu sei os show que eu não fui!

embora designer, a música sempre foi uma parte muito importante. e o roque seu pilar mais poderoso. mas como roque sempre foi pra mim uma atitude, muito mais do que um gênero com características fechadas, essa paixão pelo universo da distorção me levou a ouvir de sinatra a jovelina, de stevie wonder a miles davis, de caetano a velvet. pra quem gosta de ler manual, ficha técnica é uma beleza! e o baixista que toca aqui já gravou com aquele ali e no estúdio que francisco trabalhou também passou josé. e os festivais, as casas de shows, os movimentos que o roque e o pop foram tomando pelas décadas, formaram a estrada de tijolos amarelos que eu persegui. dessa mesma forma, cada instrumento me levou a outro. do violão pra guitarra, da gaita pro piano, sempre rondando os doze compassos entre a tônica, a quarta e a quinta.

hoje, com 41 na carcaça e muitas horas de vôo, a coisa continua sendo visceral. é só dar play. não importa se em alguns momentos estou vestido de professor, de empresário, de curador ou de pai. pra mim a vida não tem graça se ela não tiver uma trilha. e a curiosidade e a alegria de descobrir coisas novas novas e coisas novas velhas continuam com a sua libido inalterada. foi assim recentemente ao ter acesso a um show de 69 do blind faith, às pérolas guardadas no cofre do prince ou às ainda não embolachadas canções do liniker. em cada um desses momentos, meu coração bateu e eu só pensei uma coisa: aumenta que isso aí é roquenrou!!!


esse texto é uma homenagem à amizade.
aqui, rolam os slides da palestra:
69 não é preliminar — roquenrou a 78 rotações.

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