Pela humanidade nas relações

Anny Rosário
Nov 3 · 2 min read

Certa de que meus estudos em Psicologia abrangem grande parte da ciência, sempre me encantou o tato humano que o psicólogo pode oferecer sem discriminar, julgar, e, como uma forma ética de relacionamento, ser capaz de ouvir as dores do cliente em terceira pessoa. A humanidade que essa ciência é capaz de abraçar, para mim, sempre foi encantadora. Foi por este e por outros motivos que me tornei aluna e, em constante aprendizado com as aulas, fui lidando com as expectativas de forma diferente, principalmente, na prática de cria-las. É ok e está tudo bem: não se pode fugir de criar expectativas. Nós a criamos naturalmente e eu aprendi muito bem: fez parte das aulas de processos psicológicos básicos.

Para o estudante que abraça a matéria de primeira, é difícil dizer. Ainda como alunos, logo no começo das aulas, trazemos uma bagagem e uma consciência só nossa. Temos o mesmo tanto que aprender em cinco anos, quanto temos do que melhorar: como seres humanos, estudantes e principalmente como profissionais. E eu não sei sobre alguma outra graduação — vim de alguns técnicos e de pequenos cursos -, mas as aulas Psicologia nos cobra essa função tripla de forma árdua.

Se não agimos com humanidade, somos arrogantes como estudantes e incapazes profissionalmente. Se não somos bons estudantes, falhamos como profissionais. E por fim, se não somos profissionais de psicologia, ao menos nos resta tentar sermos bons seres humanos. Minha maior reflexão em quase doze meses de estudo com ardor e paixão foi pela humanidade nas relações. De que vale tantos anos de estudo e filosofia se os objetos de interesse vem à frente das relações? Aliás, se sou uma estudante de psicologia com pouco tempo de semestre, seria pertinente perguntar de quê são feitas as relações? Formulo melhor: o que há de errado com o “tato humano” em tempos líquidos, como meu professor de teorias questionou? A qualidade dos profissionais de hoje tem como fator a dependência desse estímulo? Ou os objetos de interesse, de fato, não são o inimigo?

Vi em sala de aula muitas relações caóticas e também estive em algumas delas. Reposicionei minha forma de estudar priorizando meu objeto de interesse — a faculdade — e interrompi relações de coração partido pelo porcento que conheci em sala de aula. Questionei, também, o que estavam estudando. E logo eu, que defendi a humanidade nas relações, ainda como aluna, julguei. Ouvi de pessoas queridas que o caos as fazem querer trancar a matéria e recomeçar em outro lugar. De fato, uma grande amiga, hoje está feliz.

Mas qual eram mesmo os nossos problemas? Paciência.

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