Um estranho no ninho ( parte 1)

Um “não-judeu” vivendo em Israel e a língua que não morreu

Sabe àquela sensação de não entender nada que se passa ao seu redor…literalmente. A língua falada é aquela que lhe ensinaram na escola que estava morta, mas aqui ela vive! E grita! A tonalidade é quase sempre a mesma e, dessa maneira, fica complicado entender se há uma discussão ou uma conexão acontecendo.

Todos podem falar ao mesmo tempo e se entendem mutuamente, ou ao menos, parece que se entendem. Momento de silêncio é aquele no qual você está dormindo. Na praia, em casa, no deserto ou na fazenda há sempre uma conversa acontecendo variável entre política, terrorismo, política, crianças, comida, yoga, política. Todos os pontos de vista são debatidos como uma guerra a ser vencida. E que vença o melhor!

Estar sozinho é quase uma alucinação. É necessário estar acompanhado o tempo todo, falando, comendo e falando. O senso de coletividade é intenso e verdadeiro, mas muitas vezes, se assemelha ao escapismo.

Talvez o silêncio e a solitude sejam combatidos para se evitar estar consigo mesmo num nível mais profundo. Há um certo medo da verdade escondida dentro, na voz silenciosa do coração.

E eu, um estranho no ninho, apenas observando.

Kiya
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