Desbravando bandeiras, desmistificando paradigmas

Por Renata Frade

Olá, leitora. Meu nome é Renata Frade, sou uma Advisory Board Member do Girls in Tech Brazil, do Rio de Janeiro. Periodicamente publicarei aqui artigos com reflexões sobre o mercado de tecnologia: engajamento com valor e inovação nas trocas sociais e comerciais, via estratégias de comunicação inteligentes em múltiplas plataformas. São áreas nas quais atuo profissionalmente e também me dedico ao estudo e evangelização em palestras e cursos pelo país. Gostaria muito que você opinasse sobre eles, além de sugerir temas que possam ajudá-la como empreendedora tech no mercado de trabalho e academia.

Quando somos desenvolvedoras de tecnologia, sobretudo no Brasil, precisamos ter em mente que seremos sempre evangelizadoras, não importa a característica do público ao qual lidaremos, de uma reunião de negócios a uma Campus Party. É necessário ter paciência, enfrentar as inevitáveis resistências que ainda ocorrem por sermos mulheres (cada vez menos, ainda bem), e esclarecermos todas as dúvidas. Nosso conhecimento e devoção são nossa maior credibilidade.

Já enfrentei, juntamente com meu sócio Bruno Valente, caminhos áridos nesta propagação de informações sobre plataformas. Em 2010, fomos um dos poucos e primeiros educadores sobre livros digitais e modelos de negócio e, no ano seguinte, quando o mercado ainda estava carente de desenvolvedores e devices, lançamos o primeiro aplicativo de livro em iPad de Ziraldo no país, um projeto ainda hoje inovador. .

Antes disto, em 2008, iniciei meus estudos sobre transmídia em um dos maiores centros de tecnologia do mundo, o M.I.T. (Massachusetts Institute of Technology). Desde então, esta teoria tem sido propagada de diversas formas e em diversos países, porque é multidisciplinar e envolve duas variáveis em constante transformação: comunicação e a busca e troca de informações dentro de uma cadeia de multiplicadores, da qual você também pode fazer parte. Como articular as fascinantes mídias de interação de valores, conteúdos, promover fandom, vendas, fazer parte de redes de pessoas com interesses afins ao seu, de universos de narrativas (ficcionais, de branding, jornalísticas, por exemplo) que engajam e nos fazem apaixonar, ainda mais, pelo uso de aplicativos, realidade virtual, games, mídias sociais, internet das coisas, relógios inteligentes e wearables, entre tantas novidades que surgem para derrubar barreiras entre criadores e consumidores, todos juntos e embolados neste processo.

Como empreendedora de tecnologia e comunicação, deixo a você algumas dicas que deram certo em meus projetos e podem facilitar sua relação com clientes, pesquisas e parceiros:

  • Monte um glossário de termos de tecnologia, sobretudo os novos termos de plataformas, hardware e software recentes. Assim você tira da manga diversas formas de traduzir as maravilhas de programação que você realiza em exemplos próximos ao cotidiano de pessoas comuns.
  • Tente se colocar no lugar do seu interlocutor, mesmo sendo ele um desenvolvedor. Muitas vezes nossos projetos estão tão entranhados em nós que parece que estamos expondo conceitos e ideias de maneira acessível, mas isso nem sempre é verdade.
  • Procure formadores de opinião, sejam eles jornalistas ou blogueiros renomados, e apresente sua empresa, projeto ou ideia como se fosse em um pitching. Aqueles que cobrem tecnologia podem se interessar em ter você como referência para a plataforma ou projeto que está desenvolvendo.
  • Não sinta embaraço em mostrar o quanto você é multidisciplinar e o quanto isso é ótimo. Tecnologia, design e comunicação foram feitos para aproximar pessoas, tocar corações e facilitar a vida cotidiana. Isso envolve mais do que um saber específico.
  • Não tenha vergonha de se expor em eventos, como os promovidos pelo Girls in Tech. Empodere-se da sua capacidade, erre e aprenda sempre no compartilhamento coletivo.

No próximo artigo, falaremos sobre comunicação, transmedia e realidade virtual. Até lá!

SOBRE RENATA FRADE:

Jornalista formada pela PUC-RJ, Mestre em Literatura Brasileira pela Uerj (Universidade do Estado do Rio de Janeiro), onde realizou dissertação sobre literatura e mercado editorial brasileiros, aprovada com distinção e elogiada por formadores de opinião como Moacyr Scliar. Advisory Board Member do Girls in Tech Brazil.

Realizou curso sobre Transmedia no M.I.T. (Massachusetts Institute of Technology) em 2012; especializou-se em Novas Mídias em Stanford, em 2016.

Pós-graduada em Jornalismo pela UniverCidade/jornal O Dia. Realizou e-MBA em Gestão de Comunicação Corporativa pela Faculdade Álvares Penteado/ Comunique-se.

Atua na área de Comunicação há 15 anos. Foi Gerente e Executiva de Contas em agências de comunicação como a multinacional norte-americana Edelman, maior agência PR do mundo e dos EUA.

É pesquisadora, consultora e professora de Branding Transmedia, Comunicação Empresarial, Mercado de Livros, Assessoria de Comunicação/Public Relations, Comunicação e Tecnologia para Empreendedores.