Quando me apaixonei pelo cinema

“Here’s to the ones
Who dream
Foolish, as they may seem
Here’s to the hearts
That ache
Here’s to the mess
We make”
La La Land me fez lembrar de quando eu me apaixonei pelo cinema. Entrar numa sala de cinema era como entrar em um outro mundo, onde sonhos eram facilmente realizados, lá não era careta acreditar, bastava querer para ser. Tempos de um cinema menos político, nada contra política, a arte é para contestar ou para fugir, como cada um preferir ou precisar. A arte é antes tudo para ressignificar, e tenho visto apenas filmes focados em fatos, sem o transbordar que somente a arte permite.
Já faz um tempo que eu estou morrendo para o cinema, parte culpa minha, que fui deixando o cinema pelos seriados, parte culpa dos cinemas, cada vez mais caros, parte culpa das realizações, cada vez mais duras, focadas em realidades, efeitos especiais, nudez, violência e super-heróis.
Scorsese disse dia desses “O cinema está morto. O cinema com o qual eu cresci, e que ainda estou fazendo, está morto. Como construção, o cinema sempre estará lá para uma experiência em comunidade, mas que tipo de experiência será essa?”
Eu estou com a mesma sensação, de morte da arte cinematográfica, mas ontem entrei no cinema e ele me levou para um mundo onde podemos dançar nas estrelas, andar em uma Paris feita de papel, acreditar em sonhos, dançar em engarrafamentos. Um mundo sem vilões,sem derrotismos, sem vícios ou delírios de riqueza, apenas sentimentos, um transbordar de sentimentos e um final que nos mostra que o caminho interessa até mais que o final…
La La Land talvez pareça um delírio hollywoodiano, talvez os livros futuramente digam que foi uma tentativa de Hollywood de retirar a atenção do momento instável, das lutas por direitos iguais entre mulheres e homens… mas são tempos tão incertos, que os delírios são bem-vindos, as fugas nos ajudam a ter esperança, a ingenuidade tem sua beleza revisitada.
OBS: QUE FILME LINDO DE MARAVILHOSO, QUERO MORAR NELE!
(exaltada mesmo)
