Sobre deixar de viver de aluguel e finalmente ter um lugar pra chamar de lar.

Sem tirar, nem por, deixe-me resumir: que sejamos nós. Com as dúvidas indefinidas, as certezas acertadíssimas e os medos desvendados. Com os beijos, lambidas, mordidas e abraços. Com todas as longas conversas de madrugada em prol de um “bom dia” sincero, leve e bem resolvido. Com os nossos sonhos se complementando e, ao mesmo tempo, nos motivando a nunca deixar esse verbo no passado.

Que o “nós” sirva para conhecermos, amarmos e admirarmos mais o nosso próprio “eu”. Afinal, espero que o meu amor permita que você capte e aprecie os cantos do seu próprio universo que nunca te foram visíveis ou relevantes. A minha missão mais verdadeira, além de te fazer sorrir todos os dias, é sentir que ao se olhar no espelho, você vê o mesmo super herói irresistivelmente humano que eu vejo, porque isso vai fazer com que se sinta mais forte e menos vulnerável nas noites ruins que virão.

E mesmo quando o tempo fechar, que eu nunca pare de morder o seu hambúrguer, nem você esqueça de provar meu cachorro quente artesanal. Que as cervejas sempre mereçam uma degustação empolgante, sem esquecer, é claro, dos meus textos, eternos planos de fundo para os intermináveis debates. Que as nossas conversas nunca percam sua essência e nem seu caráter essencial, afinal, sem elas, nós não seríamos nem eu, nem você. Seríamos só um garoto e uma garota.

Confesso que eu preciso mesmo acreditar na chance de sermos diferentes, intocáveis, perto de toda a realidade que nos rodeia. Porque, com toda a sinceridade do mundo, já me acostumei com o fato de que gosto do cheiro do seu cabelo, com a textura da sua pele e com a sua detalhada forma de me envolver com os olhos, com o corpo e a alma.

Me acostumar com a gente foi abandonar a ideia de que o amor era uma utopia transcrita em livros. Amor é a sua presença nos meus dias, sua constância na minha paz, nossa perseverança no coração um do outro e a extrema facilidade em continuar a vivência. As risadas, as briguinhas, os problemas, as ideias, as conversas, os ideais, os sonhos, os beijos roubados e, sem dúvidas, os muito bem dados. As esquisitices, sempre, e o sentimento de pertencimento… De lar.

De ter compromissos, vidas paralelas, individualidades, mas carregar uma certeza: nós temos pra quem voltar. Eu pra você, você pra mim, fazendo ninho, um no peito do outro.

Sem ter o que acrescentar, muito menos o que subtrair, eu só peço que a gente continue pintando, reformando e ocupando esse nosso apartamento. Afinal, não é temporário, não é alugado, é nosso, é até o dia em que não formos mais. Então, por favor, sejamos. Sempre.