a paciência de criar mixtapes

tenho uma séria aversão a textos e pessoas que atribuem à arte, essa posta como um dom, para se fazer algo. não que eu discorde que algumas pessoas nascem com predisposição ou talento, mas, e principalmente, acredito que tudo pode ser aprendido. absolutamente tudo. além do mais, talento sem trabalho nada mais é que matéria prima sem acabamento, no estado bruto.

para criar um mixtape não é diferente. você não precisa ser dj, entender de produção musical ou de um dom mágico e divino. apenas bom senso, paciência em doses cavalares e tesão. porque sem tesão não dá. não dá pra criar mixtape, não dá pra ser bom profissional, não dá pra transar e não dá pra viver.

foco, fé e força, ou, conceito, target e ordem

acredite, o conceito é o mais simples. defina a razão de ser do seu mixtape: música para relaxar enquanto o mundo explode ao meu redor; sexlist; confra da firma; festa de casamento do melhor amigo gay.

a não ser que o seu target seja você mesmo, essa parte já exige o mínimo de trabalho de campo para conhecer o gosto do seu público. por exemplo, se a playlist é para a festa de 15 anos da sua irmã, não dá para meter pink floyd, the doors e nação zumbi porque você simplesmente gosta. o seu público, provavelmente, está mais interessado em calvin harris, bruno mars e ellie goulding.

“o sucesso do seu mixtape é inversamente proporcional a quantidade de vezes que alguém pede para pular uma música” (EUZINHA).

é possível colocar arctic monkeys, jorge ben e david bowie em uma mesma leva. basta você se inspirar nesse gráfico que peguei no google.

esse é o fluxo que todo mixtape que se preze deve seguir. note que apesar dele subir e descer a todo momento, não existem rupturas bruscas. é por isso que uma playlist podem ter muitos sons diferentes entre si. basta você saber preencher os espaços que existem entre david guetta e coldplay, com faixas que encaminhem a vibe cada vez mais naquela direção, sem o baque de uma mudança drástica na pegada da seleção.

eu faço isso de duas maneira:

  1. defino as sequências pelos timbres ou acordes dos instrumentos que encerram uma faixa e começam outra.
  2. vou acrescentando estilos diferentes a um mesmo gênero até modificá-lo completamente. exemplo: rock > rock> rock surf music > surf music > ska > reggae.

o importante é que a faixa a seguir dê continuidade para seu mixtape chegar onde você quer que ele chegue. bom senso e paciência são o segredo.

uns hacks

se o mixtape é para uma festa, para espantar a preguiça no treino ou mesmo para dirigir cantando e fazendo caras e bocas, comece explosivamente, para se animar desde o início, depois algumas canções que vão manter o clima, alguns respiros (descendo a curva) para não ficar tão cansativo e aí volta a subir devagarinho até fechar no auge.

agora se a intenção é estudar, relaxar, manter o foco no trabalho, aposte em ritmos mais constantes,

tenha um piso e um teto. o piso é o aquilo de mais down que vai rolar no seu mixtape, enquanto o teto é a coisa mais louca, surreal e barulhenta que vai tocar. não ultrapasse esses limites.

o resto é exercício de paciência. encaixar uma música aqui e ver que ela não ficou tão bem naquele lugar. excluir muitas canções que você ama, mas que não encontraram seu espaço naquela seleção e escutar o resultado final — que normalmente é igual final de monografia: final. doc > final_revisado.doc > final_revisado2.doc > final_final_mesmo.doc > final_coments_professor.doc > finaaaaaaaaaaal.doc.

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