Quase lá

Quase Abril
Sep 4, 2018 · 2 min read

Esses dias atrás, resolvi tirar alguns minutos para olhar fotos e memórias antigas. Acredito que o mundo seria um lugar muito melhor se as pessoas, de vez em quase nunca, se permitissem vasculhar um pouco a nostalgia e lembrar do que já foram. Vamos lá, uma dose de saudade faz bem, estranho é não ter nenhuma. Afinal, quantas versões de você mesmo já passaram por aqui, mudando o pensamento e a forma de enxergar a cada pisada em falso?

Mesmo sem pretensão, foi numa dessas oportunidades que parei para perceber como você não se parece nada com o que eu fantasiava ser a companhia ideal. Pensando bem, é um contrário quase irônico, e ainda bem. Eu não conhecia mesmo o jeito único com que você atende o interfone, muito menos o cheiro adocicado do seu perfume e nem a saudade que ele é capaz de trazer, sendo assim tudo bem, posso ser perdoado por essa minha falta de imaginação então, se me permite.

Nesse momento de constatações, ficou bacana também perceber como é possível seguir com as nossas perdas e ausências com mais leveza. Imagino como sua ausência pesaria meia tonelada nas costas do carinha egocêntrico que eu costumava ser. Ninguém consegue lecionar conselhos de superação amorosa antes que eles realmente batam na sua porta. Mas nem tudo são flores, a vida tem o costume de ser amarga e doce ao mesmo tempo, então conseguir naturalizar as coisas não significa que a sua falta não se faça imensamente difícil para os meus dias, sinto lhe dizer.

Não sou fã desse tipo de drama, não mais, e muito menos você. Essa coisa de rotina tira a paciência de tudo, até um pouco a graça das coisas, mas você já perde tempo demais com a mania estupida de ser contrária a qualquer tecnologia que possa facilitar a vida, quase como uma personagem de sitcom americano. Dessa forma, a gente só segue e trata de lembrar com todo o carinho que cabe, sem melancolia ou dias cinzas, sempre gostei mais de você em tardes ensolaradas, óculos escuros e uma cerveja na mão.

Afinal de contas, não gosto de ouvir o clichê “leve só o que foi bom” e nem suas derivações, mas foi justamente o que aconteceu. Como eu poderia não gostar tanto assim do seu jeito ou dos seus defeitos após te conhecer com tanta intensidade, que de nada tem a ver com quantidade? A sinceridade está em dar aquilo que se pode dar, e foi assim que amei, do meu jeito, estranho e diferente, mas meu. Mas afinal quem é que liga para autenticidade em um momento em que ninguém passa nem da primeira impressão?

Tudo isso que digo aqui e para mim mesmo, soando como um ser sentimentalmente mega evoluído, nada mais é do que a minha mais nova tentativa de não pensar mais em você a cada detalhe ínfimo que me atravessam os dias. A gente sempre improvisa. Se pra conseguir dormir a gente primeiro precisa fingir, pra ficar bem não deve ser muito diferente.