Do que adianta?

Eu sempre acreditei que a vida fosse resultado daquilo que você faz pelo caminho. Tudo o que planta, você colhe. Tudo o que faz para as pessoas, recebe em dobro. Seja bom que a vida será boa com você. Gentileza gera gentileza….já se passaram vários quinto dia útil e nunca recebo o pagamento pelo que fiz o período anterior.

Um certo dia, conversei com um amigo sobre a minha frustração com a minha vida, como eu acho que as coisas não dão certo do jeito que no mínimo deveria ser, como todo mundo parece ganhar mais coisa boas do que eu e como eu ficava puto de sempre fazer as coisas certas e não ter nada, enquanto muita gente próxima de mim ganhava muito mais da vida, do universo, de Deus ou seja qual for a definição. Depois de algumas frases prontas, ele mudou de assunto e percebi que ele não tinha acreditado em nada do que eu havia falado sobre mim. Foi nítido a minha percepção de que a cabeça dele me marcou como um mentiroso, lunático, carente, depressivo ou todas essas ao mesmo tempo.

Nesse momento, não sei o que mais me marcou, se foi a minha imagem errada pra ele ou se foi o fato de que ninguém jamais acreditaria no que eu sou, e se ninguém acredita, quem dirá um dia terei algo em troca de algum lugar.

E como eu sou? (essa é a parte em que você acredita, ou não)

Hoje tenho 25 anos, completados no último dia 29 de setembro. Tive uma namorada por 6 anos e nunca a trai. Nunca cheguei perto de cigarro e nem de outras drogas. Nunca bebi mais que dois copos de cerveja. Nunca briguei na rua. Nunca tirei nota vermelha na escola. Nunca fui pra diretoria. Comecei a trabalhar com 15 anos. Fiz minha faculdade particular, porque não consegui passar em pública, e a única ajuda que pedi foram 100 reais pra minha mãe quando tive que pagar as coisas do TCC. Por 3 anos fui voluntário do CVV. Trabalho 9 horas por dia de segunda à sexta. Leio 1 livro por semana desde o início da faculdade. Vou à igreja todos os domingos. O restante do meu tempo é dividido em filme e algum curso online pra sempre me manter ocupado.

E o que a vida me deu em troca?

Hoje tenho 25 anos, uma depressão profunda me faz pensar muito nesse número. Tive uma namorada por 6 anos que terminou comigo e depois disso ainda descobri que ela me traiu por quase 1 ano. Nunca fumei, usei drogas e nem fiquei bêbado, o que me define como um cara totalmente sem graça e com nenhum carisma em conversas com pessoas fora da minha família. Trabalho desde os 15 anos e não tenho 1 real guardado, porque o único dinheiro que eu tinha eu dava em casa pra ajudar minha mãe que nunca trabalhou e dedicou a vida inteira pra cuidar da gente e dos filhos do meu irmão. Fiz minha faculdade sem ter nenhuma ajuda, mesmo ganhando 1200 reais e pagando 900 de mensalidade por dois anos. Creio que ajudei a salvar tantas vidas no CVV, mas não consigo salvar a minha que parece sempre estar sempre em um poço emocional sem fundo. Trabalho 9 horas por dia e não tenho carro, moto e ainda moro com minha mãe e meu padrasto (lembre-se da parte que eu tenho 25 anos). Leio livros pra fugir da minha cabeça, já que os problemas dos personagens são muito mais leves do que lidar comigo mesmo. Vou à igreja todos os domingos pra tentar ajudar de algum lugar divino, porque sozinho eu já desisti faz muito tempo.

Faz uns bons anos que todo Domingo é uma batalha interna sobre uma nova semana que se inicia. Todo Domingo é o dia de deitar pra dormir e ver uma nova semana chegando e tentar imaginar ela de uma forma diferente, com a vida sendo mais favorecida pro meu lado, com algumas surpresas boas aparecendo e me dando esperança de que não é somente merda que foi reservado pra mim. Já o sábado, o sábado é o dia de olhar pra trás e ver que toda semana tem sido a mesma coisa. A mesma decepção de não ter nada de diferente, só essa vida de merda mesmo, só essa mesma vida que eu tenho que ser tudo e receber nada.

A pergunta ‘Do que adianta?’ me atormenta todos os dias e me tira a reflexão se realmente compensa em fazer as coisas certas e ser uma pessoa boa pra não ter nada em troca. Se realmente compensa levar a minha vida do jeito que eu levo, sendo que nada disso volta pra mim. Se realmente compensa levar a vida, às vezes até essa pergunta me pega um pouco.


Desculpa a bad vibe intensa que está hoje, mas é que tem dias que eu preciso desabafar de alguma forma. Essa está sendo a única ultimamente.

E se você precisar falar comigo em algum momento, por esse e-mail eu consigo responder o dia todo: quasemurilo@gmail.com

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