Estrada e rodovia. Estrada e a via. Estrada e a vida.

Estou muito longe de ser um viajante, mochileiro ou coisa do tipo. Mas eu viajo bastante e com frequência. De Franca pra SP final de semana sim, final de semana não. De Franca pra Ribeirão Preto e de Ribeirão Preto pra algum lugar de avião quase toda semana. Gosto? Sim. Gosto bastante, mas tem um fenômeno nesses momentos que me atormenta mais que qualquer turbulência.

Quando se está na estrada, o sentimento de solidão é tão forte que atinge qualquer tipo de pessoa. Seja ela emocionalmente estável ou um ser depressivo. Não minta pra mim, você também tem um sentimento de solidão com aquele momento onde a sua visão tem apenas o lugar aonde se deve passar e uma vasta imensidão. Um vasto espaço vazio. Um nada, praticamente. Nesse momento, meus pensamentos que nunca param vão ao delírio. É quase uma festa para eles. Nada para se distrair, nada para ver, silêncio e um espaço de tempo que não pode ser mudar, ele vai ser cumprido do começo ao fim. Fugir não é uma opção e nem uma possibilidade.

No meio dessa imensidão toda, o significado de importância perde totalmente o sentido. Um planeta no meio de um sistema solar tão imenso não faz diferença nenhuma. Eu aqui, no meio disso tudo, que diferença faz? Se eu não estiver aqui, vai ficar algum buraco que não seria preenchido? Duvido. Meu quarto seria muito mais valioso pra uma mini-academia ou um escritório. Meu trabalho pode ser facilmente substituído com uma olhada nos currículos à disposição, e ainda pra receber um valor menor que o meu. Algumas contas pra pagar? O seguro de vida da empresa paga isso facilmente e ainda gera um lucro.

Provavelmente passarei o tempo todo aqui procurando pontos onde eu faria falta ou seria totalmente indispensável.

Acho que o resumo de tudo isso é que eu sou um nada. Eu to aqui, indo de um lugar para outro no meio dessa imensidão de mundo. Eu estou aqui vivendo uma vida do começo até o fim dela nessa imensidão chamada tempo. Eu estou aqui buscando coisas que não farão diferença pra ninguém, somente pra mim. Mas se eu sou um nada no meio dessa imensidão de mundo e não faço diferença nessa imensidão de tempo, pra que eu busco tudo isso, então?

A estrada é uma via. Um modo de chegar de um ponto de partida até o final dela em algum lugar. A vida é uma via. Um modo de chegar do começo dela até o final em algum lugar.

Estrada e a via. Estrada e a vida. Estrada e a via da vida.


Isso é uma síntese do que passo todas as vezes que estou em viagem. Fez sentido? Não consigo organizar muito as ideias nesses momentos, mas eu quis escrever agora pra colocar no mesmo formato que se passa na minha cabeça. Desculpa se ficou meio desconexo.

E se você precisar falar comigo em algum momento, por esse e-mail eu consigo responder o dia todo: quasemurilo@gmail.com

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