365 dias

Há um ano eu era uma das pessoas mais felizes do mundo.

Estava feliz pelo meu novo cargo público, rodeada de amigos, saindo com frequência, beijando bastante, me divertindo, ostentando um cabelo lindo, muito feliz com os resultados da dieta e apaixonada. Tudo conspirava a meu favor.

Foi neste junho que revi meus amigos da capital após muitos meses de saudade. Foi neste junho que casei a amiga. Foi neste junho que tomei um porre histórico. Foi neste junho que pesei meu menor peso em anos e foi neste junho que, finalmente, tive minha primeira vez.

Nossa vida não é uma constante e infelizmente em pouquíssimos meses eu vi toda essa felicidade desmoronar.

A partir de outubro eu passei a ter crises de ansiedade e pânico e eu até tentei sair de casa depois delas, mas na última tentativa — em dezembro — eu quis morrer até chegar em casa e depois disso não saí mais. Sim, a última vez que vi gente foi em 27/12/2015.

Nesses 6 meses , fui diagnosticada com depressão e transtorno generalizado de ansiedade. Me entupi de remédios, que não resolveram o problema, me afastei dos amigos, perdi minha pauta na auto escola, tive uma desilusão amorosa e uma enorme decepção com um amigo. Eu percebi que as pessoas não se importam com a dor alheia, tranquei a faculdade, briguei com meu pai, perdi meu cabelo, envelheci uns 10 anos com as rugas no rosto e pra completar engordei 16kg.

Em apenas 6 meses a depressão me tirou a alegria, a vida social e a paz de espírito e me deu obesidade mórbida, solidão e frustração.

Não tinha parado pra pensar em toda essa reviravolta em tão pouco tempo. Só ler tudo isso já é pesado, imaginem viver todo esse turbilhão?

Não foi e não está sendo fácil, porém hoje está menos difícil do que já esteve. Hoje eu acredito na vida e sei que posso mudar. Querer eu quero muito e agora estou tentando com toda minha força sair desse poço que parecia não ter fundo.

Todos os dias ao sair da cama eu tenho que me convencer que vale a pena lutar e que as coisas vão melhorar. Parei de tomar os remédios, comecei uma nova alimentação pra controlar a saúde e o peso e atividades físicas pra me ajudarem no corpo e, principalmente, na mente. Me abri a outras religiões, contei pra alguns amigos sobre a doença e tive a coragem de pedir a ajuda deles.

Tenho tantos sonhos, tantas metas e planos, que tudo o que mais quero é ficar livre de todas essas algemas emocionais e viver minha vida como sei que mereço. 365 dias não dizem quem eu sou, dizem apenas como estou no momento e outros 365 me trarão, eu creio, uma nova vida ainda melhor do que a que eu tinha.

Já já é junho de 2017 e logo menos o sol brilha forte e encerra esse meu eclipse.