A batalha da ansiedade

35 dias.

Este é o tempo que separa o meu hoje do último ataque de pânico causado pelo transtorno de ansiedade.

Graças à Deus, à terapia, aos remédios e à mim eu venci essa batalha. A guerra ainda não, mas passei dos 30 dias sem crise e preciso comemorar.

Não significa que estou curada, mas significa que estou cuidando bem de mim. Tive momentos complicados em que achei que a crise estava chegando, mas consegui controlar. Respirei, escrevi, ouvi música, deitei e fiquei quietinha, mas passou, não tive nenhum ataque. Venci!

Nesses dias eu fiz coisas que pessoas normais fazem. Fui ao banco, andei de ônibus em horário de pico, fui votar numa seção lotada de gente. Conversei com pessoas em todo canto e não explodi com ninguém, ainda que as vezes estivesse nervosa por conviver com pessoas. Venci!

Meu maior desafio foi acompanhar minha irmã no hospital por dias e ter que lidar com estranhos 24 horas por dia. Além disso precisava atender a ligações da família e amigos querendo notícias dela todo o tempo. Venci!

Tive ansiedades situacionais, perfeitamente normais a qualquer pessoa e por 5 segundos surtei e não visualizei solução. Porém respirei, me acalmei e agi naturalmente, concluindo o que era necessário. Venci!

Quem não sofre de nenhum transtorno não sabe o quanto significa dar um bom dia pra alguém na rua, dar um sorriso pra vizinha pentelha, dar atenção pro cliente insuportável. Voltar a conversar com Deus com fé, voltar a fazer planos pra daqui um mês ou dois. Mínimas coisas. Mínimas gotas de vida que, pra nós que sofremos, significam o mundo.

Tenho ficado feliz por pequenas coisas, como pegar o ônibus na hora, acertar o ponto do pudim, conseguir fazer uma canastra de 1000 no buraco. Não tenho grandes objetivos agora, prefiro focar no meu passo a passo. Lento e contínuo.

Nesse momento está batendo um vento onde estou e eu sinto o cheiro do meu cabelo que lavei hoje de manhã, quando acordei e quis me arrumar.

Isso significa a vida.

Estou viva.

Por muito tempo pensei que não estivesse.