Hoje é um daqueles dias em que a carência bate e se quer um colo pra chamar de seu. O desejo veio e com ele vieram muitas reflexões sobre meus relacionamentos. Comparando os rapazes pelos quais me apaixonei notei a repetição de dois padrões:
- Todos foram babacas
- Todos as histórias começaram com um interesse dele e um desinteresse meu. Diante de uma negativa inicial, baseada em toda a desconfiança que carrego comigo, todos insistiram, começaram a conversar quase que diariamente e a partir daí surgiu uma “amizade”, um apego da minha carente metade e um romance. Em todos os casos houve reclamação sobre minha frieza, términos desastrosos de alguma forma (ou traição ou sumiço ou mentira descoberta ou uma volta de namoro com a ex e etc) e ressurgimentos após bastante tempo.
Quando um relacionamento acaba, tentamos encontrar os motivos que levaram ao fracasso. Geralmente encontramos inúmeros problemas no comportamento alheio e nos esquecemos do quão falhos somos e de que relações se baseiam em dois pilares e não só em um.
Não posso fazer nada quanto a babaquice alheia, afinal já é difícil o suficiente lidar com minha própria babaquice, mas posso - devo e preciso - trabalhar os pontos do segundo item.
Sou fruto de um relacionamento frustrado e uma família desestruturada e isso fez de mim desconfiada. Ninguém tem culpa dos meus traumas, é claro, mas toda vez que inicio um romance levo comigo essa bagagem que me faz um tanto quanto fria e afasta as pessoas. Penso que quando eu disser “eu te amo” pra algum cara o mundo estará próximo do fim. O que preciso aprender sobre este ponto é que eu não preciso repetir o padrão fracassado dos meus pais. Ainda há pessoas boas neste mundo e eu posso sim continuar desconfiada, mas eu preciso me abrir e me permitir ter relações profundas.
Tenho, também, problemas com autoestima. Apesar de ter muitos amigos, sou uma pessoa carente de afeto, então quando o cara começa a me dar uma atenção concentrada eu me engano e me apego, pensando ser real aquele interesse quando, na maioria das vezes, ele só está gastando um tempo comigo até conseguir o que quer. Deste ponto levo duas lições: a primeira é que carência SEMPRE me fará ver príncipes em sapos e me meterá em enrascadas e a segunda é que amizade não se faz do dia pra noite. Um cara novo jamais poderá ocupar lugar em minha vida que deveria ser somente de amigos de muito tempo e confiança. O apego surge por eu dar aos novatos um espaço que não lhes é devido em minha vida e o sofrimento vem quando eles não correspondem às funções que eu, inconscientemente, delego.
Todos sabemos que não se cria expectativas sobre ninguém e que não há sequer uma pessoa perfeita no mundo, mas o campo dos relacionamentos tem muito mais mistérios do que imagina nossa vã filosofia. Coisas inesperadas ocorrerão a cada pessoa nova com a qual me envolver, mas os padrões podem ser identificados, trabalhados e eliminados para que a dor que causam seja atenuada.
Além dos erros, me recordo de coisas boas que também se repetiram. Fui uma companheira incondicional para todos os caras. Eles enfrentaram problemas enquanto estavam em minha companhia e dei meu ombro, meus conselhos, meu apoio e, nos dias de hoje, isso é admirável, convenhamos. Geralmente as pessoas fogem ao primeiro problema que o outro apresenta.
Nunca se sabe quando o coração será aquecido por uma nova paixão. Nunca, também, estaremos prontos pra ela, mas analisar o passado e refletir sobre ele pode nos fazer alguém muito melhor.
A vontade de ter um colo agora até foi embora, após eu perceber que ainda preciso melhorar muito e me preencher muito pra ser inteira ao invés de tentar encontrar minha metade em alguém.