Obrigada!

Eu gostei dele com toda a intensidade que eu poderia gostar.

Foi um amor platônico, sim, é verdade, mas foi muito sincero.

Foram anos de frio na barriga, borboletas no estômago, mãos geladas, boca seca e gagueira ao encontrá-lo.

Anos enxergando reciprocidade de sentimentos, entendendo cada oi, cada like, cada abraço como um “também gosto de você, só não sei dizer”.

Anos achando que ele era perfeito para mim. Tão perfeito que era inalcançável e me paralisava toda vez que eu tentava me aproximar.

Até que um dia a autoestima venceu o medo e eu me declarei.

Pela primeira vez na minha vida eu abri meu coração pra alguém com todas as letras, vírgulas e pontos. Eu disse a ele o que estava entalado em meu coração. Disse que queria ser mais que amiga e que sua presença me impactava ao ponto de deixar uma pessoa que fala pelos cotovelos sem palavras.

Eu estava pronta pra ouvir um não, quase tinha certeza que ele viria, porém, sua resposta foi mais expressiva que isso e disse muito mais do que qualquer palavra diria. Você se calou e me ignorou.

Pensei que sofreria, mas foi maravilhoso, libertador pra mim. Fiquei 5 minutos pensando no que tinha feito e até me arrependendo, mas depois entendi o quão libertador havia sido aquele ato.

Não foi um pedido de casamento, não foi uma declaração de amor, foi a assinatura da minha liberdade. Me libertei do amor platônico, do medo de expressar meus sentimentos e da angústia de guardar tudo pra mim.

Foi há pouco mais de um mês e, inacreditavelmente, me tornei outra pessoa. Mais leve, solta e articulada.

A você, querido ex crush: obrigada por me ignorar! Obrigada por não ter tido respeito pelos meus sentimentos! Obrigada por se mostrar um insensível! Eu descobri que havia me apaixonado por um cara que não existia e conhecer esse seu verdadeiro lado me fez apagar todos os anos de paixão e borboletas no estômago. Achei que você era meu amigo, mas nem essa consideração você merece.

Eu sou incrível demais pra não merecer ao menos uma resposta. Eu sou foda demais pra mendigar amor de alguém, principalmente o amor de quem se acha tão superior a ponto de nem respeitar os sentimentos alheios.