Afeto
Nov 5 · 1 min read

Eu não quero afeto agora
Quero às duas da manhã
Numa manga de cardigan
Para aquecer meu rosto de tempestade
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Às duas, todos dormem
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Eu não quero afeto agora
Quero às quatro da tarde
Num enrolar de cabelo
Para liberar meus planos de parafuso
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Às quatro, todos trabalham
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Eu não quero afeto agora
Quero às três e quinze
— — — — — — — — — [hora da soltura dos demônios]
Numa conversa espelhada
Para enxugar meu vazio de acrílico
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Às três e quinze, todos sós
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Ai ai, são cinco e dez
Perdi a hora da vacina
Sua falta não tem cura
Cof cof
