O lado esquerdo da cama

Em noites de lua minguante
Abraço o travesseiro
Deitado no lado esquerdo da cama
E desejo que ele tivesse
Vida e calor para encenar
Reciprocidade
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Da janela, vejo a lua rir de mim
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Abraço apertado
Olhos fechados
Coxas-atrito
Peitos harmônicos
Mãos de salamandra
Nas costas
Sopros dos trompetes
Da entrada do paraíso
Nos ouvidos
Derretidos
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Corpos iguais
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Traço tabuleiros redondos
De jogos raros
Conheço bem as regras
Os atalhos
Anos de treino individual
Me dariam experiência
Não avaliada
Onde ela está?
Travesseiro
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A lua ri de mim
Como se o brilho fosse dela
Engraçadas essas regras
De português e biologia
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Do lado esquerdo da cama
O calor dele é o meu
Brilho no escuro
Sozinha, sozinha
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Nas outras seis noites de lua
Minguante
Continuo a abraçá-lo
Deitado, inerte
Travesseiro
Travessia
Ao vazio
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Olho de novo a cidade
Encaro o sorriso da lua
Lembro que é sempre um bom sinal
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E acabo dormindo no meio
