jeitinho

a insípida noite
traz um calor e um colar
de quem será?

preso numa camisola fria
em um corpo molhado
em curvas malfeitas
em serenatas obsoletas
as trombetas, oh, as trombetas

mãos grandes e sujas de sangue
o guerreiro forte e delirante
pede paz e laxante
para a alma
e para o viajante
sem rumo
sem prumo
sem fumo

a fumaça de quem aspira as dores
o cinza da boca de quem só tem odores
eu te esqueço nos primeiros cinco minutos
te reconheço depois de 10 insultos

a minha pele desaba
a minha alma deságua
o meu chão se abre
e se corrompe num baile
com musicas antigas 
com pessoas tão lindas
e homens indecifráveis

a luz que me ilumina é sem foco
o chão que me segura é preto e branco
o delírio de quem trabalha num banco
a trancos e barrancos
contando dinheiro e notas em branco

quem te viu, quem te vê
pátria amada não esqueça
eu bebi do teu leite e fugi
o desgosto e o gosto amargo
o enjoo e o cansaço
a insatisfação e uma puxada no saco
estacionar o carro é barato
o rei esta nu e de quatro
diante do povo
e dos ratos