Vegans: mercado, boicotes e a BemMeQuer
Felipe Krelling
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Felipe, essa estratégia que você cita o texto todo, não é nossa, essa estratégia é de um mundo capitalista (leia-se, que não dá a mínima pra ética) que estaremos reforçando se questões de boicotes, como esse citado, não forem discutidas ainda mais profundamente e com um pano de fundo em que se considere táticas de longa duração, com objetivos de abolir a exploração animal.

Esse mito de que através do consumo vamos obter resultados concretos é reforçado justamente por ong’s que quando escutam “libertação animal”, não entendem nós, humanos, como animais. Ou se entendem, na prática é para uma empatia seleta e, ao mesmo tempo, ignora um futuro onde reforçaríamos éticas abolicionistas e aposta no consumo como alternativa ao problema que enfrentamos. Consumo e nada mais.

As pessoas não-vegans que compram produtos vegetais em alternativas aos animais, entram um dia num corredor de mercado e da próxima vez entram em um diferente, procurando por preços e não por escolhas morais. Se empresas hoje lucram, digamos com um falso frango, amanhã poderão desistir do produto por razões meramente econômicas e isso não afetará em nada os ex consumidores, já que não existiu qualquer questionamento dado pelo consumo. Há casos conhecidos de cidades nos EU com pouquíssimos veganos, mas com corredores de mercado cheio de produtos ‘alternativos’ vegetais. Ninguém está tomando decisões pelo consumo. Como algo vazio vai lhes dar um questionamento?

Pode-se argumentar, é claro, que o que importa para os animais é que haja menos sofrimento, ou que haja menos indivíduos sofrendo. Porém, é um desserviço reforçar o papel do consumo nessa questão. É a ética que precisamos introduzir. Se não é suficiente pra ti, então é porque não acredita que está correto do seu papel. O reforço do consumo pelo consumo, por mais estatísticas que queiram levantar não é algo palpável ou algo confiável para um futuro de abolição.

Há que se falar sim sobre boicote, não importa nosso tamanho, importa é construirmos um caminho correto em que não esqueçamos o quanto o capitalismo é prejudicial à todos nós. Nós também precisamos derrubar esse sistema, senão nunca estaremos livres, de fato.

Abraços

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