Florist, Fear of Men e Vagabon em Nova York @ The Silent Bar

Estive em Nova York por três dias na semana passada na minha primeira viagem pra fora do Brasil. Eu não tinha nenhum roteiro programado, mas umas das ideias primárias era ver shows, se possível pelo menos 1 show grande e outro menor e esse de preferência com bandas que eu não conhecia. Ficar só 3 dias em NYC foi um erro, muito pouco pra uma cidade com tanto a oferecer. Tive um mixs de medo e euforia andando por ela.

No dia que cheguei teríamos nada menos que o Radiohead na cidade, no Madison Square Garden, mas infelizmente já estava sold out há muito tempo e devido ao cansaço da viagem do Brasil que já tinha começado umas 19 horas atrás, não tive pique pra ir pelo menos até a porta de uma das casas de shows mais importantes do mundo pra tentar um ingresso. Fica pra próxima.

Um pouco antes da viagem fiquei bem esperto no Bandsintown, um app que mapeia todos os shows (cadastrados) acontecendo na localização que você escolhe, filtrando e recomendando shows baseados nas bandas que você ouve no Last FM por exemplo, ou curte no Facebook. Por lá vi que rolaria esse show em Williamsburg, achei a arte do cartaz muito foda e resolvi ir. Depois descobri que na verdade o cartaz era a capa do último álbum do Florist.

Capa do disco The Birds Outside Sang — arte da Emily Sprague

Fiquei numa casa alugada no Airbnb de um casal muito fofo no Brooklyn, recomendo. De lá fui até a estação de metro e peguei a linha verde até a estação de Wall Street, lá me perdi um pouco procurando a linha J para ir até Williamsburg, eu achava que essa linha era uma de ônibus, depois de algum tempo perdido procurando a tal linha de ônibus, dei de cara com a entrada pra estação de metrô J. Além da burrice, eu estava sem conexão com a internet pra procurar melhor a estação. Deem um desconto.

Já em Williamsburg, após perguntas rápidas pra achar o lugar do show, na avenida Bushwick, encontrei o Silent Barn. O Silent Barn como eles próprios se definem é um coletivo de voluntários que se unem pra promover eventos de arte e música. Tudo auto gerido e colaborativo, desde a curadoria ás decisões financeiras. Entrei por um portão lateral da galeria, passei pela bilheteria numa rápida conferida no meu passaporte, e já vemos uma espécie de quintal com várias mesas espalhadas, muitos grafites pelas paredes, luzes de led. Tudo muito simpático e convidativo. Tem espaço até pra um deck onde a galera pode subir a escada e ficar sentado uns metros acima do resto do rolê. O espaço, pelo menos nesse dia, era todo cuidado por mulheres. Bar, bilheteria, na montagem de som, além das três bandas da noite, todas lideradas por minas.

Entrada do Silent Bar!

Dentro da galeria, um espécie de inferninho, bem pequeno e apertado acredito que pra no máximo 150 pessoas lá dentro havia um bar com muitos tipos de cerveja, drinks, pizza e a água era free num bebedouro ao fundo. Cheguei no comecinho do show da primeira banda da noite. A Vagabon é apenas Lætitia Tamko sozinha no palco empunhando uma guitarra semi-acústica e um sintetizador. Fiquei bem impressionado com o show, timbres de guitarra muito saturados e uma voz imponente bem característica, apesar de um show bem rápido, foi muito aplaudido.

A segunda banda era o Florist que mesmo sem não conhecer muito, era a banda que eu mais esperava ver, tinha algo na minha intuição dizendo que eram o tipo de som que eu costumo gostar. Eu não estava errado.

A banda é um quarteto liderado por Emily Sprague, que escreve todas as letras. Ao vivos temos dois teclados, um moog e os tradicionais baixo, guitarras e bateria. Começaram o show com uma música muito intimista, com apenas Sprague no teclado, era uma boa amostra da vibe do resto do set. Tocaram por uns 40 minutos, com os integrantes alternando entre guitarras e teclados, músicas bastante minimalistas e introspectivas sonoramente, toques de folk e dreampop com letras extramente emocionais e diretas.

Péssima foto do Florist

Tudo me tocou muito durante o show, trechos das letras pareciam bem direcionados pra mim. Um pouco antes de escrever esse texto li uma entrevista deles dizendo para não confundir o som deles com algo “light” ou “fofinho” que essa não é de longe a intenção deles, e é exatamente isso, apesar da capa parecer frágil os temas tratados em todas as músicas envolvem reflexões bem pesadas sobre o se tornar adulto, relacionamentos e o significados da infância.

A última banda foi o Fear of Men, a headliner da noite, e confesso que já estava sugado pela vibe do Florist e não gostei tanto da apresentação deles. Soaram como mais um banda de post punk com pitadas de post rock e vocal feminino.

Achei muito interessante como a plateia daqui é silenciosa durante a execução das músicas, bem poucas conversas paralelas, em bandas como o Florist e o Vagabon onde há diversos detalhes diminutos em volume nas composições isso é importantíssimo.

Eu queria ter as duas experiências em NY, de ir num show grande e a de ir num show pequeno, mais próximo da minha realidade aqui no Brasil. O show grande infelizmente não rolou, mas ir ao Silent Bar foi muito válido. O coletivo tem programação por todo o ano praticamente, então se estiver visitando NY e quer ir a um lugar no Brooklyn com boas bandas pra se descobrir, eis aqui uma dica.

Cartaz que encontrei na Bushwick Avenue