Meu corpo é

um emaranhado

de células, ossos

sonhos e medos.

Eu tento lutar

contra as feridas

que guardo por dentro.

Logo eu

que sempre acreditei

que cada um de vocês

tinha uma pequena faca e só

só esperava a hora certa

para me ferir.

Continuo numa caminhada

perdida pela mata fechada

tentando

encontrar algum ser

que se assemelhe mais a mim mesmo

do que o que aquele pedaço de vidro

diz ser.

Passo horas

dias

tentando ignorar essas marcas

buscando florescer

em cada brecha dessa casca.

Mas no final do dia

sou só

a mesma menina

que ainda vê facas

ao invés de pessoas.

E treme o dia inteiro

e não dorme na hora silenciosa

por achar que deve ficar alerta

pois tem medo

de um dia

de rever aqueles olhos.

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