Por quê você

insiste

em me machucar?

Por quê você

gosta tanto

de me fazer

esses cortes

profundos?

Pra quê

deixar minha alma

em pedacinhos

tao pequeninos

que

mal posso enxergar?

Você dizia

vê-lo

em meus jeitos.

Foi esse o meu erro?

Ele te feriu.

Eu sei.

Sei.

No meu olhar

existe a liberdade

dele.

E nos teus…

o medo.

Você tem medo

de ficar sozinha?

De sentir os seus ossos

virando

pó?

Ou de não ter para onde correr?

Eu estou

sozinha

despedaçada

e você, mãezinha,

que me carregou

em seus braços e ventre;

que diz

grita

para quem quiser ouvir

que nunca desistiu de mim…

por que você não me ama mais?

Eu sou uma árvore

presa

podada

e sem raiz.

Em que momento

você passou a me prender, limitar, possuir

demarcar

como território teu?

Em que momento

meu choro

parou de incomodar e você

passou a

não enxergar

essas correntes

presas

em meus pés?