Carnaval, volte mais vezes

Cheguei em casa. Ainda de máscara. Cheia de confetes grudados no corpo suado de uma noite de baile de carnaval. Olhei-me no espelho: a vida podia ser sempre assim. Uma festa! Nossos corpos bailando sorridentes atrás de máscaras coloridas. Lindas roupas vestindo nossas peles. E o calor que nos aquecia naquele salão de baile.

O espelho revelou. Por baixo daquela máscara, os meus olhos brilharam novamente. Era a chance de poder reviver a dança feliz que fizemos no final de fevereiro no baile do clube América. Você me olhou, eu te olhei. Nossos olhos cruzaram-se sem pudor. Afinal, mascarados, as coisas parecem ficar mais simples.

Girando, girando, girando. Meus pés deslizavam para acompanhar os teus e você me conduziu bem. Parabéns! Há tempos um cavalheiro não dançava tão bem assim comigo. Sutilmente, com a mão em minha cintura, você, com delicadeza, mostrou quem mandava ali. Assim, logo teria a chave do meu quarto. Do meu coração? Talvez. Mas há necessidades mais urgentes.

O corpo é urgente. Afinal, somos efêmeros. Assim, que nem o carnaval. Que nem as festas, quem nem a alegria. Então, que graça existe se não há o pleno aproveitamento dos deleites que nos aguardam? Sentados na cama, ainda de máscara, mas agora nus.

E o baile acontecia. Sincronicamente. Ardentemente. Que todos os advérbios me permitam tentar descrever o que houve com a gente naquela noite. Mas não foi possível. Era preciso sentir, sentir mais, sentir dentro. Viver de maneira descompromissada, sem horário. Mas de máscara. Sim, somente ela que me permite ser assim, sem pudores. A minha outra face tem cara de segunda-feira. Cheia de responsabilidades e acorda às sete.

Feliz e fugaz é meu outro lado. Selvagem como apenas a leviandade permite, alegre e leve como tem que ser para a vida fazer sentido. Pela porta assim saiu carnaval. Tudo que é bom não dura muito. Tudo que faz bem logo tem final.

Tomei banho. Dormi.

Acordei às sete.

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