Ela é feliz. Perdoem-na!

Ela abriu a janela de novo. Mais um amanhecer encheu-a de sonhos, projetos e de esperança. Diante de um cenário aterrador de crises, guerras, atentados e outros problemas tão comuns na vida de seres mortais, ela só queria se lembrar que as coisas poderiam ser melhores de novo, afinal, ela pôde desfrutar de mais um dia.

Os raios solares energizavam-na pela manhã e ao tocar sua pele eram muito mais do que processos químicos e precursores de vitamina D. Sol não significava apenas um astro celeste. Mas a chance de poder tentar mudar as coisas novamente. De poder estender a mão e entregar uma flor a alguém ou ajudar uma pessoa perdida a encontrar seu caminho.

Dirige cantarolando Janis Joplin na ida para o trabalho. E ao som de “Me and Bobby McGee” vêm lampejos dos lugares que ela ainda deseja conhecer e dos amores que ela ainda vai encontrar em sua jornada de busca vital por algum sentido que ela ainda não sabe qual. Mas está bem esforçada em tentar descobrí-lo.

E empenhada, ela sai todo dia. Veste uma roupa confortável (é que ela prefere tênis a salto alto) e reafirma a sua presença no mundo. Reconecta-se com seus objetivos mais profundos e caminha com passos firmes em busca do propósito de descobrir qual é a sua missão.

Tudo isso sem pressa. Apesar dos passos firmes e acelerados, a busca maior não é pelo fim da história, mas de aproveitar cada pedaço dela. De aproveitar os meios. Deve ser por isso que ela nunca ligou para quem revelava o final do filme para ela, pois o que importava mesmo era a beleza da caminhada.

:)