Felicidade tem que ser um presente que mora no presente

Hoje eu decidi fazer uma coisa diferente: pegar o carro da minha mãe para dirigir. Já que eu não andava bem por esses dias, um carro com som pra eu cantar bem alto as minhas love songs podiam me fazer um pouco mais feliz. E fizeram, aparentemente. Mas, o lance não é esse. Não tem nada a ver com o carro, mas com o jeito que eu acordei hoje de manhã, talvez mais esperançosa com a vida e de pé direito.

De qualquer forma, com o som altão nas love songs, um cara emparelha a sua Fiorino com o carro que eu dirigia, no eixo monumental, buzina e diz:

Como eram bons os velhos tempos!

Sorridente eu disse:

Bons demais.

E fiquei pensando nos últimos dias, nas lembranças, memórias ou nostalgias. Naturalmente, me veio uma abstração permitida: bons tempos eram somente os velhos? E claro, vaguei longe em meus pensamentos enquanto dirigia pela W3 Sul. Lembrei de Goiânia, dos amigos, dos amores e da saudade que eu tenho dos “bons tempos”. Fiquei meio resignada ao pensar que os “good times” — coincidentemente o nome da coletânea que eu ouvia — nunca estão no presente. Dado possível de ser constatado pelo meu mau humor repentino pós-entrada da lua em escorpião.

Os bons tempos deviam ser tempos que estão como presente (gift) no presente (present) que a gente vive. E não no passado na nostalgia, tampouco no futuro na ansiedade. Há a perseguição por coisas e/ou situações que nos façam feliz o tempo inteiro, sem que haja o respeito por essas bads que de vez em quando nos acometem.

Essa eterna busca é o que faz a gente querer, mesmo que às vezes a contragosto, acordar de manhã cedo e enfrentar a alucinação do dia a dia. E as lembranças são aquelas que fazem a gente sorrir meio de canto ao pensar no quanto foi bom estar presente naquele momento. Tem vezes que, na vida da gente, nós nem lembramos de viver o que está acontecendo. Paramos no automático mesmo; achamos tudo um saco à la Raul Seixas em Ouro de Tolo.

Acontece que o presente nos exige uma dedicação real. De entrega verdadeira. O passado é só um resgate no HD, enquanto a incerteza do futuro pode nos causar enxaquecas ou gastrites. Uma coisa é certa: a aventura tá sempre batendo à porta. Se ela é incrível ou tediosa, a gente é quem tem que decidir. E encará-la, mesmo que seja de cara feia.

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