Morrissey: um testemunha de Jeovegan

Tive o prazer de ver (quase) de perto um dos meus grandes ídolos: o Morrissey, do The Smiths. E como todo ícone, ele tem o direito de ter as suas extravagâncias e afins. Vamos entender e reconhecer sua importância no cenário musical e cultural dos anos 80.

Uma de suas “extravagâncias”inclui o desprezo absoluto por qualquer tipo de carne em seu local de apresentação. Então, exclua os espetinhos gordurosos e mal preparados no final do show ou os cachorros-quente de ontem que o povo insiste em vender na porta do show pra matar aquela larica pós apresentação.

Em seu show, ficou claro o nojo que Morrissey possui por carne em vídeos no telão mostrando execuções cruéis de animais sob o mote: “meat is murder”. E muita gente chocada: “meu Deus, é assim mesmo, será?” E eu apenas pensando: meu Deus, qual a necessidade disso?

Quem já viu famílias pobres implorando por apenas um pedaço de carne para comer ou que não come há semanas e/ou meses, apenas entende que essa luta dos jeovegans é um fato isolado diante de um contexto muito maior de gente sofrendo, com fome e com necessidade de nutrir-se do que Morrissey despeza: de apenas um pedaço de carne.

Nossa, você come carne! Eca!

O vegetarianismo/veganismo e correntes afins possui alguns adeptos meio xiitas que querem fazer com que você deixe de consumir carne de qualquer forma. Chamar essa galera para uma reunião social é ouvir encheção de saco a noite toda enquanto você saboreia o seu espetinho. Qual é o problema?

Não comer carne não faz de você um ser mais iluminado

O que te faz mais iluminado é uma corrente de boas ações, educação e respeito pelas outras pessoas. Especialmente aquelas que comem carne. Que são seus irmãos, seus amigos, parentes e outras pessoas. Não comer carne é uma espécie de religião que tem sido empurrada goela abaixo para seres “menos espiritualizados”.

Voltando ao Morrissey

Apenas como um ídolo, tem o “direito” de manter algumas extravagâncias. Mas transformar seu show em um momento quase religioso de abominação a carne e comprar as barraquinhas de cachorro-quente para servir sanduíche sem salsicha é no mínimo bizarro. E coisa-de-quem-quer-aparecer.

Voltando ao Brasil

Cachorro-quente sem salsicha deveria ser mais barato né? Mas não foi isso o que aconteceu. Este mesmo item estava sendo vendido a dez reais na saída do show. Em barraquinhas xexelentas que a gente só se submete MESMO por que a fome pós-show tá bizarra. E são aquelas coisas que a gente vê por aí, o ativismo de Morrissey virando motivo de trapaça no nosso país.

Até quando?

Morrissey ficou nas minhas lembranças remotas de The Smiths iconizado nos anos 80. Esse ser jeovegan quase gospel não me empolgou de jeito nenhum. Algumas coisas ficam melhor no passado. Exatamente como estavam.

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