Reflexões sobre uma mulher fitness

Você tem que ser magra. Tomar suco verde, fazer crossfit, comer frango, comer brócolis, cortar a carne vermelha em dia de semana, comer aveia com banana. Tudo isso com o objetivo de ser magra. Não. Magra não! Ter saúde, de acordo com a mídia e diversas outras blogueiras fitness que vemos por aí. Mas se saúde é restringir uma diversidade de grupos alimentares e tomar suplementos duvidosos, eu realmente questiono o que é doença.

A obsessão com o corpo perfeito não algo novo. Diversas capas de revistas e blogues estampam a dieta do ano, o treino que vai emagrecer 5 kg em um mês e maquiagens para esconder as cicatrizes de cirurgias plásticas. Os padrões é que mudam ao longo do tempo. E quem impõe esses padrões? A mídia. Ela determina o que é belo e o que é brega. E nós, como consumidores fieis de tendências e modismos, caímos como patinhos nestes moldes.

O papel da mídia é fazer com que nos sintamos sempre inadequados. O ideal é gerar sempre o sentimento de insegurança por meio de galãs bonitões, barrigas negativas e corpos sarados na praia que aparecem no EGO. E mediante a isso, ganhar milhões da indústria com fórmulas mágicas de perda de peso e ganho de saúde instantâneos. Sem muito esforço ou sacrifícios.

A Thayla Ayala adora miojo com bastante sódio. Inclusive, este é o segredo de sua barriga negativa.

O Activia que regula o seu intestino para desinchar a barriga. O Belvita que é uma alternativa saudável ao café da manhã. A salsicha que a Fátima Bernardes e a Angélica comem, que tem menos sódio. Agora vem cá, você acha mesmo que a Angélica come salsicha ou a Thayla Ayala come miojo todo dia no almoço? Não seja tão ingênuo.

Salsicha com menos sódio? A Angélica adora!

As tendências penetram em nossas mentes como agulhas hipodérmicas — lembrando das aulas de Teoria da comunicação — em que são introjetados conceitos, modismos e outros padrões em nosso estilo de vida nas camadas mais profundas da nossa mente, ou da nossa pele, na camada hipodérmica, na qual não se sente dor. Em que não existe contestação ou mesmo um sentimento sobre o fato. É sim, uma mistura de sensações difusas e incompreendidas, que neste caso, acaba por ferir a autoestima da mulher.

Sobre a gravidez fitness

Ainda não sou mãe. E quero muito ser. Apesar de inúmeras situações que podem complicar a vida da mulher, como depressão pós-parto, violência obstétrica, abandono, expectativas, noites sem dormir e outras coisas que a mídia não mostra nos comerciais de margarina. E além disso, as deformações corporais que podem acometer as mulheres, naturalmente, mas que podem causar um certo espanto nos parceiros e/ou um verdadeiro choque na autoestima.

Viu só como a gravidez não é apenas o ato lindo e maravilhoso de ser mãe? Existem diversos ângulos para enxergar esse momento na vida da mulher e/ou do casal que devem ser respeitados. E agora, uma geração de blogueiras fitness vem por aí querendo introjetar uma barriga sarada aos 9 meses de gravidez? Isso, para mim, é o cúmulo de “aonde vamos chegar, humanidade?”

Afinal, as mulheres já sofrem diversos ataques à sua forma física quando não estão grávidas e isso já as sensibiliza, imagine quando estão grávidas quando uma série de transformações acometem seu corpo e mente? Não está bom para vocês, blogueiras fitness? Acho que todo mundo tem o direito de se expressar sim, como quiser. E não fazer disso um verdadeiro estilo de vida para diversas mulheres que não conseguem nem caminhar por causa das pernas inchadas de gravidez.

E a mídia, novamente tem papel fundamental nisso. Em demonizar as médicas e doulas que optam por ajudar a mulher nesse momento e apoiar as grávidas fitness dando-lhes uma posição de destaque num portal desses qualquer da vida, como um G1, por exemplo. É sim, a mídia faz com que a barriga negativa da Adriane Galisteu tenha mais representatividade do que a primeira mulher que ganhou um prêmio nobel. Irônico, não?

Como formadoras de opinião, o que deve ser passado não é que pessoas gordas ou que grávidas com a barriga gigante e murcha não são determinadas. Por que determinação tem muito mais a ver com as lutas diárias do que com uma barriga chapada. Vamos lá cada um cuidar de sua vida?

Parem o mundo. Deixem eu descer?
Show your support

Clapping shows how much you appreciated Que se Dani’s story.