“Tudo no mundo começa com sim”

Sim.

A última palavra que ele disse. O sim é sempre carregado de inúmeros sentidos, expectativas, sentimentos e sensações. Ainda mais aquele sim dele. Ele não abriu somente a porta. Escancarou as janelas, abriu as cortinas, deixou-se levar pelo amor e por um carinho que há tempos me consumia. Depois daquele sim, entrou o sol, choveu e brotou amor em circunstâncias totalmente novas na vida. Como tudo o que o amor faz na nossa história, a capacidade de renovação.

Depois daquele sim tudo virou música. Até o asfalto quente de Brasília na época da seca estalando e desgastando as rodas dos carros. Até aquele ipê amarelo resistente pareceu mais bonito mesmo em toda a névoa seca que recobre a capital federal. Tudo tem a capacidade de ficar mais bonito com as pupilas grandiosas de uma nova paixão. Os mistérios que outrora existiam são compreendidos com mais clareza.

Naturalmente são criados novos mistérios. A razão de ser da nossa existência. Afinal, não existe universo de vasta compreensão. E a cabeça do outro, o coração dele é um verdadeiro terreno do desconhecido. Aliás, às vezes nem eu me conheço. Não era para me apaixonar assim tão facilmente. Mas, é certo. Nem sempre fazemos escolhas racionais. Eu diria que, na maioria das vezes elas não são racionais. São conectadas, emaranhadas, supervalorizadas.

Sim.