Houve um dia em que ela seguiu

Houve um dia em que acordou, olhou para os lados e não reconheceu onde estava. Sabia, por plena consciência, que essa era a sua casa, ali estavam as suas coisas, seus livros, as roupas, mas faltava algo no ar.

Sabia, por si, que ali residia, mas não morava. Não era esse o seu lar.

O seu lar ficou a muito, nas mãos de outra, seus olhos então lembraram do que se tratava, mas se recusaram a chorar. Sua mente novamente lhe disse que algo não estava mais lá e então mudou, lembrou-lhe que haviam roupas no varal e muitas coisas a serem resolvidas.

Ela saiu ainda com a sensação de que algo lhe faltava, mas não conseguia reconhecer o que era. Tinha feito tudo igual, como em toda as outras manhãs, abriu as janelas, espreguiçou-se, escovou os dentes e lavou a cara, escolheu as roupas para o trabalho, estendeu as cobertas e saiu. Tudo estava onde deveria, menos aquele pensamento insistente de que algo lhe fugia.

Decidiu por bem colocar os fones de ouvido e tentar dissipar os pensamentos com as notas alegres de uma música qualquer. E seguiu, tranquila, fazendo o que precisava, revisando suas ações para garantir que nada lhe escapava e ainda assim a sensação persistia.

Ao final do dia, ao deitar na cama e apagar as luzes, percebeu o que lhe atormentou durante o dia: Ela esquecera do amor. Percebeu que ao acordar naquele dia já não mais acreditava nele, já não mais o tinha como companheiro, já não mais o carregava.

Talvez seja melhor dessa maneira, talvez seja a melhor maneira de seguir.

Talvez seja apenas a hora de seguir em frente.

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