Tentativa de uma escrita sem palavras

A padronização da mídia como reforço de preconceito.

O roteiro pré definido desse texto conta nossa história a partir do passado, datas, feitos e nomes. As definições dos dicionários explicam tudo e são desmembradas para encher linguiça até o fim do parágrafo. Somos construídos como números, que precisam chocar para causar a empatia, seca e sensacionalista. Precisamos de visibilidade de alguém que viralizou e algum colonizador achou bonitinho para aparecer. Precisamos de aspas para falar a nossa língua, que não é reconhecida pelo revisor e precisamos da palavra de alguém que escreveu algum livro para se posicionar.

Se posicionar é preciso, mas como dar nomes aos bois ganhou igual importância? É termo que não acaba pra falar do que nem devia ser dito. Já fomos silenciados para contar a nossa história e jogar a merda toda no ventilador, mas pra bater de frente o negócio é ficar pianinho. Isso de ter mártires para contar histórias já derrubou sangue demais, já foi muito bonito, mas esses escritos de incentivo continuam existindo para que o tal mártir ganhe uma matéria grande depois da morrer. Por essas e outras, que essas palavras não deviam mais aparecer, não deviam​ ser mais ditas por simplesmente a dor que causam não mais existir.

Permanecer reproduzindo com constância o que já foi dito, o que já sabemos o mais do mesmo que é pelo linguista sei-lá-quem uma coisa que foi chamada de sinônimo. Sinônimo ode passar em cima da dor, da pele e com raça. E nos movimentamos para causar pela causa, que se despedaça por bater muito. As palavras ficam ali no campo do significado, carregadas de sentido, mas não, do ato.

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