Arruaça

[Diário Testamento]

Na rua que eu cresci todos os dias era feriado, cidade de interior. Nossas competições de ciclismo ou Volta Ciclística Tiradentes não tinham o mínimo de segurança nem torcida (a ideia do “Libertas que seras tamem” era nosso grito de guerra). O trajeto era decidido na linha de largada, raras exceções trocávamos o percurso de contornar a praça e voltar até o início da Rua (1,2 km). Nossos prêmios eram mangas e queijo com goiabada (que a família do Ná vendia).O pódio era improvisado na própria mangueira da frente da casa do Pereira, que nunca brincava, pois seu pai não deixava.

Os páreos eram disputas de melhor de 3 largadas com resultados por categoria. Todos tinham o nome da rua e não nos permitíamos outro tratamento a não ser o de batismo. A primeira categoria era composta por: Daniel Bola, Netinho, Taninho e Ná. A segunda por: Nanãnja, Orelha (meu irmão), Dudu e Rubinho. Por fim, a última categoria: Almondiga/Teta (eu), Léozinho, Dágoma e Neguinho do Pastoreiro.

Nossas competições foram encerradas no feriado que Ná, vencendo a Volta na ultima etapa quase atropelou o carro de churros; na descida da praça. O vendedor de churros revoltado ligou pra Guarda e nos denunciou: “Na Rua 21 de Abril as crianças estão trocando os churros por bicicletas, Sr. Guarda.”

One clap, two clap, three clap, forty?

By clapping more or less, you can signal to us which stories really stand out.