
O sentido do corpo.
Sorrir com os olhos, falar pelos cotovelos, meter os pés pelas mãos, abraçar o mundo com as pernas. Talvez seja por isso que em mim, a anatomia humana não faça o menor sentido. Afinal, sou do tipo que lê no toque, observa com o coração e caminha com a cabeça na Lua. Daquelas que enxerga a voz, escuta a pele e busca no céu se encontrar em Terra!
Multiplico os cinco sentidos por milhares. Novas sensações me ocorrem e assim, me proponho a descobrir diariamente outras formas de sentir. Agora, eu quero o cheiro da felicidade, o gosto da saudade, o olhar da criança, a voz da louca razão e o toque da essência divina.
Abandono a luta contra o óbvio, pois sei que dentro de mim há um infinito de possibilidades e embora existam sentimentos doloridos transitando por aqui, sei que devo me conscientizar e aceita-los para que a força do meu amor próprio os cure, me permitindo então conduzi-los até a porta de saída.
Me proponho assim, não delegar mais funções ou mesmo definições para as coisas que eu quero. Desejo não mais definir o lugar adequado para tudo que sinto.
É possível que as emoções sejam seres vivos e quase-independentes, elas mudam os caminhos sem consultar os planos racionais. Essa é, só mais uma das provas de que na vida, rótulos são dispensáveis e sentimentos não-classificáveis.
Texto Original de Fernanda Gaona
Adaptado por Raabe Moro
Ilustração de Henn Kim
