Ilustração de HENN KIM

O sentido do corpo.

Raabe Moro
Jul 20, 2017 · 2 min read

Sorrir com os olhos, falar pelos cotovelos, meter os pés pelas mãos, abraçar o mundo com as pernas. Talvez seja por isso que em mim, a anatomia humana não faça o menor sentido. Afinal, sou do tipo que lê no toque, observa com o coração e caminha com a cabeça na Lua. Daquelas que enxerga a voz, escuta a pele e busca no céu se encontrar em Terra!

Multiplico os cinco sentidos por milhares. Novas sensações me ocorrem e assim, me proponho a descobrir diariamente outras formas de sentir. Agora, eu quero o cheiro da felicidade, o gosto da saudade, o olhar da criança, a voz da louca razão e o toque da essência divina.

Abandono a luta contra o óbvio, pois sei que dentro de mim há um infinito de possibilidades e embora existam sentimentos doloridos transitando por aqui, sei que devo me conscientizar e aceita-los para que a força do meu amor próprio os cure, me permitindo então conduzi-los até a porta de saída.

Me proponho assim, não delegar mais funções ou mesmo definições para as coisas que eu quero. Desejo não mais definir o lugar adequado para tudo que sinto.

É possível que as emoções sejam seres vivos e quase-independentes, elas mudam os caminhos sem consultar os planos racionais. Essa é, só mais uma das provas de que na vida, rótulos são dispensáveis e sentimentos não-classificáveis.

Texto Original de Fernanda Gaona
Adaptado por Raabe Moro
Ilustração de Henn Kim

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    Raabe Moro

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    Perde o rabo, troca de pele, troca de cor, muda o trato, aguça o olfato, e só não se perde porque tem alma camaleônica.

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