Quem seria Raabe? Por Roberto Barros

Raabe Moro
Jul 24, 2017 · 2 min read

O escarlate do cordão salvador de Raabe é próprio para quem quer abolir códigos. Para quem sabe o valor da emoção inconsciente. Não islamizou-se Moro. Desenho, arabesco, música. Desobediente menina de olhos grandes. Voz Raabe. Gesto Raabe. Sua arte está em ver e sentir desertos. Certo, até aqui chegamos. E agora?

Pintura, bordados, crochê, supremacia da palavra no entorno da figura condenada? E estas texturas, de onde vem? Temporariamente de uma mentira ou de uma mente que teima em entender a metáfora do humano por excelência. Sem consciência, nobre criança… sem consciência…

Forma, estrutura e função. Por quê? E se a arte de Moro estiver em Raabe e ambas habitarem uma fronteira onde tudo aponte para a satisfação dos sentidos? Abre-te Sésamo? As portas de uma comunicação plena de imagens e coisas: carimbos, mesas, canetas, besouros, elefantes, brincos, espadas, couraças, tinteiros, livros, pratos, esponjas, caixinhas de nada adiantar, pontas de lápis…

Um novo casamento caligráfico monogrâmico em forma de borboleta nupcial de Londres — amostras de insetos, verdejantes objetos de sabores vastos. O design de Raabe cria satélites que captam energias neutras, provocativas, que subvertem idéias com uma enorme carga simbólica entre conceito e forma para depois explodir Jericó pagã e Jerusalém e outras santas com simplicidade, elegância e funcionalidade. Ela borda com sinais sutis logos-iluminuras contando pequenas histórias de fazer tremer a medula: o que me diz velha moura, Maria traga-me palha, vamos queimar-lhe a vassoura…

Raabe fala diretamente por intermédio de seu design coisas sobre a demência do comunicar com humor e com provocação, ao mesmo tempo em que conjura sem nada prometer, invólucros arrojados que estabelecem uma relação de verdades absolutas entre o desenho e a pessoa para que ela cria. Mais, para que Raabe cria?

Por hora, basta que Moro continue a propor temáticas. Que ela continue a nos espantar com intensidade, cor, potência e direção. Que ela encontre outros iluminados, que iluminem tanto mais assim. Pois Raabe Moro é luz — arandelas, luminárias, abajures, tramas adesivas, mantos medievais impressos, versatilidade do disponível, INTERCÂMBIO COMUNICACIONAL FLEXÍVEL…FURTA COR, RELEVO.

AVANTE!

Roberto Barros, 2009.

    Raabe Moro

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    Perde o rabo, troca de pele, troca de cor, muda o trato, aguça o olfato, e só não se perde porque tem alma camaleônica.

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