Faça as pazes com o seu eu que você não pode ser

Qual foi a última vez que você se pegou pensando nas outras possibilidades das escolhas que fez e das coisas que aconteceram com você? Qual foi a última vez que você pensou ou disse “e se eu…tivesse feito diferente”, “e se aquilo não tivesse acontecido”, “e se eu tivesse apenas dito” não dito, ido, não ido, confirmado, não confirmado. E se fosse diferente?

Uma vez escutei que o “e se” é uma das perguntas mais difíceis de se responder, uma que jogamos ela tão automaticamente nas nossas vidas que esquecemos de considerar que esse “se” depende também de uma série de outros fatores incontroláveis e aleatórios que vão além da nossa capacidade de escolha. Mesmo assim, nos castigamos diariamente com nossas unlived lifes, buscando em cada detalhe onde erramos para assim acreditarmos que vamos consertar tais erros.

Nós não vamos. Ou vamos.
Calma.

Destino, a escolha de outras pessoas, as escolhas de outras pessoas que afetam nossas outras pessoas, Deus ou os astros (ou qualquer outra coisa que você acreditar), fatalidades, doenças, horas perdidas na manhã, farol quebrado pela tarde e uma série de outras aleatoriedades afetam nossas escolhas. Nós somos sim responsáveis pelo o que fazemos, mas nem sempre somos responsáveis pelo motivo pelo qual chegamos ali. Nós podemos escolher quem queremos ser, mas não podemos escolher como o mundo vai ser com a gente. Infelizmente (ou felizmente) nós não escolhemos nossas dores e nem nossos amores, mas nós temos que lidar com eles e com todos os “se’s” que eles nos apresentam.

Eu bato nessa tecla das variáveis para que entendam definitivamente o quanto o “e se” pode ser cruel com você mesmo. Se auto avaliar tem seu lado bom e é extremamente construtivo para si — é importante rever, reaprender, melhorar. Mas se perder dias e noites se revirando pelas escolhas erradas que fez é não aceitar que, naquele momento, talvez a única escolha que fizesse sentido para você fosse aquela. O famoso “não adianta chorar pelo leite derramado” se aplica tão bem aqui — ou você acha mesmo que a intenção era derrubar o tão famoso leite? Você acha mesmo que se tivesse pronto para fazer a escolha 100% certa, faria a errada?

Nós temos limitações: físicas, emocionais, educacionais, espirituais; e elas conflitam diretamente com todas aquelas coisas incontroláveis que acontecem no mundo. Você não pode controlar isso.

Ilustração: CRUA

Tenha paciência com você.
Respeite tudo aquilo que você ainda não pode fazer.
Faça as pazes com o seu eu que você não pode ser. Se torturar com ele é cruel e você sabe que só chegou aqui com o que esse eu te ensinou.

Ps.Se tudo que você quisesse tivesse acontecido exatamente da maneira que você quis, talvez você não estivesse aqui. Eu não sei afirmar se isso é bom ou ruim (mas eu sei que isso é único).

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