#ProcurandoRafael, baseado em conversas reais com a Kat
Viajar é uma coisa louca aos 20 e poucos anos. A gente se joga no clichê romântico do “me perder para me encontrar” e sai aí pelo mundo se livrando das amarras da nossa rotina e descobrindo em si coragens e vontades antes nunca sentidas. Eu fiz isso na minha viagem. A Kat fez também.
A sede pela liberdade da rotina, dos costumes, das pessoas nos faz desejar intensamente estar onde ninguém se quer fala nossas línguas, para então falarmos o que quisermos. Saímos no começo desse turbulento 2016 pelo mundo em busca de descobrir nós mesmas. E nessas a Kat descobriu o Rafael.
Breve resumo sobre a história do Rafael:
Dias antes de embarcar, a Kat foi roubada e, em seu momento de desespero, conheceu o Rafael: um cara legal que lembrou que ela podia se desprender da tristeza do assalto e se jogar de cara na aventura que era guardada no destino dela. Antes de ir embora, ele deixou um óculos verde com ela e nenhum contato.

A Kat embarcou com a mochila pesada nas costas e o óculos do Rafael. Foram 5 países, assim como eu fiz. Ela descobriu paisagens, pessoas, comidas, outros amores, vários sabores e por todos eles levou aquele óculos verde.
O pé doía e ela não ligava, a respiração faltava e isso não incomodava. Havia dentro de si uma necessidade de viver cada erro daquele momento, de sentir cada músculo e ouvir em cada local como a batida do seu próprio coração oscilava. Diminuía ao apreciar os locais mágicos, acelerava ao ansiar pelas aventuras, intensificava ao inserir aquele óculos em cada cantinho dessa viagem.
Durante esses tempo fora, a Kat ganhou um estranho acompanhante materializado em um óculos verde. De “me perder para me encontrar” ela foi se perder para procurar o Rafael pela América do Sul.
Ela procurou por um amor daqueles de filme (ou de série?) e encontrou ele batendo extremamente forte dentro de si. A história dela teve paixão, teve amor, teve tesão e, o mais importante, teve muita coragem de expor seu próprio coração. Ela queria viajar sozinha, mas descobriu com o Rafael o quão bom é estar com outras pessoas, sejam elas novas ou velhas. Ela queria demais andar por aí sem rumo, e com o Rafael descobriu o quão gostoso é seguir trilhas. Ela queria voar e o Rafael mostrou como é bom sentir os próprios passos e usar eles pra andar por aí. Ela queria, queria, queria: o Rafael mostrou pra ela como fazer.
Rafael, se você ler isso um dia, saiba que a Kat de antes dizia que, entre todos seus medos, queria um grande amor pra viver, assim como ela queria viajar. A Kat de agora não diz mais, ela faz. E tem uma coisa louca no fazer: ele deixa de lado medos e abre porta pra incríveis possibilidades. Talvez a Kat nunca te ache, Rafael, mas, graças a ti, hoje ela sabe que grandes histórias de amor acontecem primeiro dentro de si e só então se abrem para as outras pessoas nesse grande mundo.
Tá, talvez eu tenha me apropriado da história da Kat pra falar de mim. Mas eu sei bem que ela também se sente assim.